Milton Alves Júnior
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Os serviços promovidos pelas linhas Parque São José/Maracaju, Maracaju/Centro, e Osvaldo Aranha/Visconde Maracaju foram realizados normalmente na noite de ontem, apesar de uma previa mobilização articulada pelo Sindicato dos Rodoviários de Aracaju (Sinttra). Uma última reunião realizada ao final da tarde de ontem na sede do sindicato inviabilizou o ato. Ela foi convocada pela secretária de Defesa Social de Aracaju, Georlize Teles, que acenou com uma resposta do Comando da Polícia Militar. A promessa da corporação é de uma grande operação de saturação nas linhas que registraram o maior número de assaltos aos coletivos.
A reportagem do JORNAL DO DIA buscou novas informações junto à direção do Sindicato dos Rodoviários, mas, até o fechamento desta edição, todos estavam na reunião extraordinária, que também debateu o futuro das manifestações e reivindicações da categoria junto aos órgãos públicos e Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp).
Há mais de um mês, os motoristas e cobradores ameaçavam interromper os serviços a partir das 19h na Grande Aracaju, devido ao vasto registro de assaltos e atos violentos promovidos por criminosos. Ao todo, até a tarde de ontem, 145 veículos se tornaram alvo dos bandidos, que, na maioria das vezes atuam em trios ou quartetos. Também neste período, dois ônibus foram incendiados por traficantes, sete foram apedrejados e uma mulher foi esfaqueada. Após a interrupção nos ‘corujões’, que circulam durante a madrugada, a meta dos trabalhadores era cessar os serviços de todas as linhas a partir das 19h já a partir do dia 24 de janeiro, primeiro dia de Pré-Caju, mas um acordo firmado com a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) resultou no adiamento da mobilização geral.
Em meio ao impasse, a PM disse não ter condições estruturais para promover escolta de todos os veículos durante o período noturno. Nas ruas o clima é de incerteza e reclamações. De acordo com o estudante pré-universitário Lucas Diniz, é necessário que o poder público intervenha no debate e atenda os interesses dos funcionários. "É preciso deixar claro que essa briga dos motoristas também é uma reivindicação da população. Nós também queremos mais segurança porque estamos cansados de perder bens e tomar tapa na cara do bandido. Sei que seria ruim pra mim essa greve, mas eu apoio", afirmou.
Durante a reunião do sindicato que ocorreu no mesmo horário previsto para o recolhimento dos veículos, o JORNAL DO DIA conversou com o ‘taxista’ clandestino Kleber Vasconcelos Júnior, que disse aproveitar a situação para fazer dinheiro e atender ao povo. "A população vai continuar sem transporte até quando? Se a segurança não faz nada para equipar a segurança pública, nós taxistas realizamos esse transporte mesmo sem a regularização da SMTT e fugindo deles para não tomar multa. Estamos aqui fazendo dinheiro", declarou.
Nos terminais de integração e pontos de ônibus a população continuava sendo atendida conforme realizado todos os dias. Ciente da mobilização programada, a comerciante Djalma Soares Costa disse ter pensado em optar pelo transporte clandestino, mas preferiu esperar e saber se a promessa dos trabalhadores tinha sido concretizada. Para ela, a mesma insegurança dos ônibus coletivos se estende para os carros de passeio. "Sabemos desse risco, mas vamos fazer o quê?", indaga a vendedora.
Sobre a perspectiva para os próximos dias, caso o recolhimento dos ônibus seja realizado após as 19h, ela disse que faz parte de um grupo de amigas que pretende fretar uma van para deixá-las todos os dias nas respectivas residências. "É o jeito. Vamos gastar um pouquinho a mais, mas creio que vamos ter um pouco mais de sossego porque vão pegar a gente lá na porta do shopping e deixar na porta de casa", disse.


