Pesquisa iniciada no Lacen confirma associação da Microcefalia ao Zika virus

O estudo realizado em 123 mães e bebês de Sergipe confirma a associação da microcefalia ao Zika vírus. A pesquisa iniciada pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen) em parceria com o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) é resultante da análise das amostras coletadas de sangue e saliva, para pesquisa de anticorpos contra o Zika Vírus e outros patógenos que podem provocar a microcefalia em fetos.

A coleta do material, feita no período de 31 de março a 10 de maio, teve como público alvo as mães e bebês que foram inseridos e notificados no critério de microcefalia, nos municípios de, Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Laranjeiras, Itabaiana, Cumbe, São Clemente, Pacatuba, Nossa Senhora da Gloria, Santa Luzia do Itanhy, Santo Amaro, Simão Dias, Aquidabã, Cristinapolis, Riachão do Dantas, Capela e Itaporanga D’’ Ajuda.

De acordo com Cliomar Alves dos Santos, gerente dos serviços de Imunobiologia e Biologia Molecular do Lacen, a pesquisa contou com a participação das mães de bebês com e sem microcefalia, tomando por base os bebês que ao nascer foram enquadrados no critério e mães que tiveram fetos natimortos.  "Durante a realização da coleta as mães compareceram ao Laboratório Central, coletamos o material e encaminhamos para o Instituto de Ciência Biológicas coordenado pelo professor Paolo Zanotto", lembrou o gerente.
Ele informa que mediante a conclusão do trabalho de pesquisa em São Paulo, constatou-se que, 52 amostras deram reagentes para Zika IgG, 7 apresentaram resultados indeterminados para Zika IgG e 3 deram reagentes para Zika IgM. "Com estes resultados conseguimos estabelecer o vínculo epidemiológico e a correlação positiva de que a infecção pelo Zika Vírus provocou a microcefalia nestes bebês", justifica o farmacêutico bioquímico.

Conforme Cliomar os estudos não explicam a origem do vírus, mas pode predizer que o vírus da Zika brasileira, tem genes da Zika africana e asiática. Nesse sentido, o profissional ressalta que a população e, principalmente, as mulheres grávidas devem ficar atentas para possíveis sintomas. "Essas gestantes devem procurar uma unidade de saúde e fazer o exame para comprovar a infecção até o quinto dia de algum dos sintomas, como dor de cabeça, manchas, dores no corpo e febre. Os efeitos deletérios provocados pela Zika são muito sérios e permanentes, por isso mesmo, precisam ser investigados", adverte.
Após as avaliações finais realizadas entre os profissionais envolvidos nos estudos, o próximo passo, será a entrega dos resultados a cada mãe a partir do dia 04 de julho. Também será aplicado um questionário para complementar os dados necessários para o estudo a fim de fechar as vertentes genéticas e médica da abordagem, para essa população alvo.

Sobre o material para a investigação do Zika vírus, atualmente existe um kit comercial para pesquisa de anticorpos no sangue, que encontra-se em fase de testes, e que ainda este ano o Ministério da Saúde (MS) deverá distribuir o produto para rede pública, caso os resultados destes testes sejam satisfatórios. Em relação à prevenção da Microcefalia, ainda não existe um medicamento específico no mercado. A vacina está sendo estudada por pesquisadores em todo o mundo e pode ser finalizada no prazo de até três anos.

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