PF prende suspeito de tráfico em Aquidabã

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Federal cumpriu ontem em Aquidabã (Baixo São Francisco) um dos 49 mandados judiciais relativos à "Operação Ferrari", deflagrada para combater uma quadrilha que atua no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro. Um empresário da cidade que atua na venda de carros de luxo, cujo nome não foi revelado, foi preso no começo da manhã e levado para prestar depoimento na sede da PF em Aracaju, no bairro Siqueira Campos (zona oeste). Em seguida, ele foi transferido para o Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no Santa Maria (zona sul). Além da prisão do acusado, houve ainda a apreensão de alguns bens, mas não foram especificados quais.

Segundo o delegado regional de Combate ao Crime Organizado do órgão, Daniel Horta Alves, o suspeito foi denunciado a partir de uma investigação feita pela Superintendência Regional da PF no Paraná, a partir da unidade de Londrina (PR), e que as equipes locais apenas colaboraram no cumprimento da ordem judicial. Por isso, não foram divulgados outros detalhes sobre a ação do órgão em Sergipe. Além de Aquidabã, a operação aconteceu em outras 14 cidades dos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Mato Grosso do Sul. A suspeita das investigações é de que o empresário sergipano mantinha negócios com integrantes da quadrilha que se baseavam na Bahia.

A PF paranaense revelou que o grupo era responsável pelo repasse de drogas produzidas no Peru e na Bolívia, principalmente cocaína, e conseguia passar com elas pela fronteira do Brasil com o Paraguai, na região de Mundo Novo (MS). Parte da droga era refinada em um laboratório clandestino montado em Salvador (BA) e revendida por todo o estado vizinho. A outra parte, destinada ao interior de São Paulo, era processada em outro laboratório na cidade de Indaiatuba (SP). Os chefes da quadrilha se baseavam em Londrina e, segundo a polícia, acumulavam um patrimônio de cerca de R$ 40 milhões em empresas de fachada, contas bancárias, barcos, carros de luxo e imóveis de alto padrão – o que fez os policiais batizarem a operação com o nome "Ferrari", alusão à famosa montadora italiana.

Ainda segundo a Polícia Federal, a investigação começou há 14 meses, mas ganhou impulso em outubro de 2014, quando uma mala com R$ 520 mil em espécie foi apreendida pela receita Federal no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). A bagagem suspeita estava entre as malas de um voo que saiu do Aeroporto Santa Maria, em Aracaju, em direção à Londrina. Mais tarde, descobriu-se que o uso de malas era uma tática dos traficantes para remeter o dinheiro arrecadado com a venda das drogas. Até o fim da tarde de ontem, 16 pessoas foram presas e mais de30 contas bancárias e imóveis foram sequestradas pela Justiça Federal paranaense. (com Agência Brasil e Gazeta do Povo/PR)

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