Milton Alves Júnior
Permanece no Instituto Médico Legal (IML), o corpo do presidente da Associação de Catadores e Catadoras de Mangaba, Uilson de Sá da Silva, encontrado amarrado e sem vida na respectiva residência, localizada no bairro Santa Maria, zona Sul da capital sergipana. O corpo foi encontrado por parentes na tarde desta segunda-feira, 28. Em comunicado feito pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), foi informado que a liberação do cadáver não ocorreu em virtude de o Ministério Público Federal (MPF) ter solicitado um apoio complementar pericial junto à Superintendência Regional da Polícia Federal. Em paralelo, o governo de Sergipe destacou ainda que peritos da Polícia Civil também foram escalados para elucidar o caso.
Em entrevista concedida na manhã de ontem em frente ao IML, Dona Gilza, amiga de Uilson e moradora do Conjunto Valadares – também no Santa Maria -, a vítima enfrentava com frequência sucessivas ameaças de morte, mas buscava minimizar o indicativo grave de vulnerabilidade. Indicando ser próxima de toda família há mais de 30 anos, a depoente revelou que o amigo, em virtude das ameaças, passou a receber medidas protetivas pelos direitos humanos, os quais foram incapazes de evitar o homicídio. Impactada com o ato de crueldade, Dona Gilza pediu que as pessoas, caso possuam informações capazes de ajudar nas investigações, compartilhem o mais rápido possível. O dique-denúncias da Polícia Civil é: 181; anônimo, a identidade do denunciante é integralmente preservada.
Informações apresentadas pela Polícia Científica revelam que mostras de sangue, urina e conteúdo estomacal da vítima, foram encaminhadas ao laboratório de pesquisa forense, onde será feito um painel toxicológico completo, para tentar identificar se o indivíduo estava ou não sob o uso de alguma substância. Além de associações de moradores, trabalhadores, entidades sindicais e profissionais da Segurança Pública, desde o anúncio do assassinato, defensores dos direitos humanos, parlamentares, esferas administrativas do governo de Sergipe, e o poder judiciário, passaram a trabalhar em conjunto para ajudar na elucidação da morte. Entre eles estava a procuradora da República Lívia Tinôco, que estava no plantão e se dirigiu ao local para conversar com a família, membros da comunidade tradicional e com as autoridades presentes.
OAB – A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por intermédio da presidente, Lilian Jordeline, se manifestou sobre o caso: “A Comissão se fez presente tão logo tomou conhecimento para acompanhar a apuração da situação. Estivemos juntos com o Ministério Público Federal; Uilson era uma pessoa muito querida, respeitada pela população e pela comunidade, pela defesa que fazia daquela reserva extrativista. Vemos com grande preocupação esse fato lamentável. As circunstâncias em que essa notícia nos chegou, de que Uillson teria sido amarrado e amordaçado, tudo isso compôs um quadro que chocou toda comunidade e à sociedade e por isso a OAB se fez presente através da Comissão de Direitos Humanos, para acompanhar toda a apuração dos fatos”.
Em nota, a Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS), manifestou na tarde de ontem sua indignação e repúdio pela morte do presidente da Associação de Catadores e Catadoras de Mangaba, Uilson de Sá. A pasta defendeu ainda que a investigação em andamento conduza à identificação dos responsáveis. “Uilson sempre atuou em defesa do Meio Ambiente, da cultura popular, da Reserva das Mangabeiras e das comunidades. Tudo que plantou dará bons frutos, sua luta não foi em vão e ele nunca desistiu. Uma de suas lutas era ver o Museu Extrativista da Reserva da Mangaba inaugurado e protegido como patrimônio ambiental, histórico e cultural de Aracaju”, declarou a secretária de estado da Inclusão e Assistência Social, Lucivanda Nunes Rodrigues.
Investigações – Também na tarde de ontem o delegado da Polícia Civil, Tarcísio Tenório, esclareceu que para colaborar com as investigações, imagens capturadas por circuitos de monitoramento internos e externos – de residências e pontos comerciais -, serão adquiridos pela corporação. “Aguardamos o resultado dos laudos periciais para que a gente possa esclarecer todas as circunstâncias do fato. O inquérito foi instaurado e iremos dar continuidades as oitivas de testemunhas”, informou o delegado responsável por conduzir as investigações da SSP. A perspectiva é que o trabalho desenvolvido por peritos da Polícia Federal tivesse sido iniciado ainda na tarde de ontem; não houve confirmação por parte da PF. A Secretaria de Segurança Pública informou que atualizações sobre o episódio serão apresentadas pela assessoria de comunicação.


