Polícia Unida faz novo protesto por reajuste

A manifestação foi realizada na praça Tobias Barreto, em frente à SSP.

Gabriel Damásio

O governo do Estado encerrou as negociações com as associações de classe do Corpo de Bombeiros e das polícias Civil e Militar, que compõem o Movimento Polícia Unida. Em uma nota oficial, o Estado confirmou que suspendeu a reunião marcada para a tarde de ontem na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP), na qual os secretários de Governo, Administração e da própria SSP apresentariam a resposta ao que foi proposto há duas semanas pelos líderes do Polícia Unida.
A nota diz ainda que, “após ouvir as demandas das categorias em vários encontros, a Mesa de Negociação fez os cálculos e vai antecipar o envio do projeto para apreciação dos deputados estaduais [na Assembleia Legislativa], dando maior celeridade ao processo”.
A proposta definida pelo governo concede reajuste linear de 5% para todos os cargos da Segurança Pública (ativos e da reserva), mais 2% na tabela e a diminuição do tempo de promoção para oficiais e praças, com a concessão de interstícios. A área econômica do Palácio de Despachos estimou que o pacote para os policiais terá um impacto de R$ 115,5 milhões aos cofres do Estado apenas em 2022, sendo R$ 85,5 milhões com salários e R$ 30 milhões com a concessão dos interstícios.
“Com o reajuste, por exemplo, um cabo da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe que hoje recebe R$ 5.695, passará a receber R$ 6.094. Da mesma forma, um coronel que recebe R$ 25 mil, passará a receber R$ 26.750.Na Polícia Civil, um agente de 1ª classe que recebe R$ 9.500, receberia R$ 10.165. E um delegado de 2ª classe passaria de R$ 19.500 para R$ 20.865 nos seus vencimentos”, explica o governo, acrescentando que “a promoção de soldado para soldado de 1ª classe, por exemplo, passa de 10 para 6 anos, de cabo para 3º sargento, 5 anos, e de 3º para 2º sargento, 4 anos e 6 meses”.

Reação negativa – A decisão do governo contrariou muito o Polícia Unida, que manteve a manifestação programada para ontem à tarde em frente à sede da SSP, no bairro São José, durante o mesmo horário em que aconteceria a reunião dos líderes com os representantes do governo. Para as entidades, “o Estado quebra dois compromissos com os profissionais da Segurança Pública: o primeiro, de não encaminhar projeto de Lei para ser apreciado na Assembleia Legislativa sem a concordância da categoria e, o segundo, de que o projeto não seria imposto”.
Para a tarde de hoje, foram convocadas as três assembleias gerais extraordinárias que reunirão os delegados de polícia, os agentes e escrivães da Polícia Civil e os oficiais e praças da PM e dos Bombeiros. Todas irão discutir se aceitam ou não o projeto a ser enviado à Alese e quais as outras mobilizações que devem ser feitas a partir de agora pelos policiais que aderiram ao movimento. As possibilidades de paralisação ou de manutenção da operação-padrão ainda não estão descartadas. As entidades ainda defenderam abertamente que os policiais que ocupem cargos de gestão ou liderança, incluindo o secretário João Eloy de Menezes (que é delegado), entreguem seus postos em protesto contra o governo.
“O Governo prometeu que haveria negociação e não uma imposição do projeto e ele traiu o próprio compromisso, tendo em vista que suspendeu da maneira unilateral a negociação e enviará – como negou que faria – o projeto diretamente para a Alese e sem passar pela categoria. Cobramos também do secretário de Segurança, dos chefes das instituições, comandantes gerais e delegado geral, que se posicionem. Ou estão do lado da categoria ou estão do lado do Governo que nega os direitos dos profissionais de segurança e que trata tão mal os servidores que protegem diuturnamente a sociedade”, disse Isaque Cangussu, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Sergipe (Adepol).

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