Por medo, ônibus quase pararam ontem

Desde a noite de anteontem e por todo o dia de ontem, a segurança nos terminais de ônibus de Nossa Senhora do Socorro foi reforçada pela Guarda Municipal da cidade, cujas equipes passaram a escoltar os veículos e fazer rondas no entorno dos terminais. Mesmo assim, isso não diminuiu a sensação de medo dos motoristas e cobradores de ônibus, já acuados pelo aumento dos assaltos do ônibus em toda a capital. Segundo cálculos do Sindicato dos Rodoviários (Sintra), até o momento cerca de 60 casos de assalto a ônibus foram registrados na Grande Aracaju. A média registrada nos primeiros 21 dias do mês já é proporcionalmente maior que todo o mês de janeiro do ano passado.

Para o presidente do Sintra, Miguel Belarmino, apesar das dificuldades enfrentadas pela população, a queima de dois ônibus não caracteriza protesto de passageiros, e sim ação do crime organizado. "Essa é mais uma prova de que a bandidagem está solta aqui, em Aracaju, e em todo o Estado de Sergipe. Ficamos com medo de tanta violência e pânico causados não só aos usuários do transporte coletivo, como também aos profissionais que rodam todos os dias aqui na região com estes veículos", declarou o presidente.

Presente no local após os ataques, o diretor operacional da Viação Atalaia, Alberto Almeida, informou que os ônibus atingidos possuíam apenas 60 dias de uso. "É com muito pesar e preocupação que recebemos essa notícia. Digo isso porque já operamos aqui, a comunidade aos poucos tem se mostrado satisfeita com a operação, são carros novos e garantimos que nosso papel está sendo cumprindo. O que temos que esperar agora é espera é o desfecho desse processo. A insegurança faz com que não só o povo, como também os funcionários das empresas fiquem preocupado e com medo e querendo um posicionamento por parte da empresa, lamentou".

Logo nas primeiras horas de ontem a direção geral da empresa buscou a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) de Aracaju, para informar que os ônibus destruídos não possuem previsão para serem substituídos. Com essa medida, os moradores do município de Socorro passam a enfrentar um novo problema: a falta de ônibus para atender toda a população. Segundo a estudante Maitê Rodrigues, essa atitude é respeitável, mas não aprovada. "Entendemos que a empresa está preocupada e parece tentar botar a população contra os marginais. Agora, além do medo da falta de segurança, a gente tem menos ônibus para se locomover", lamentou a jovem.

Mesmo com o reforço de policiais militares e guardas municipais em todos os terminais de Aracaju e Socorro, os passageiros dizem não se sentir seguros. "Impossível ficar calmo enquanto estamos nos pontos de ônibus até chegar em casa. É preciso que a Polícia resolva logo essa situação de calamidade, antes que a situação fique ainda mais preocupante e descontrolada", afirmou o operador de caixa Isaac Silveira.

Paralisação – O Sinttra informou na tarde de ontem que os motoristas e cobradores que atuam diariamente na região de Socorro podem interromper as atividades já nos próximos dias. Apesar de essa atitude estar parcialmente atrelada aos ataques da última segunda, Miguel Belarmino declarou ao JORNAL DO DIA que essa perspectiva é debatida pelos funcionários desde o final de dezembro.

No entanto, uma reunião realizada no fim da tarde garantiu que haverá mais segurança da polícia e das empresas para que os ônibus circulem. "Nos reunimos com representantes da SMTT e ficou garantido que tanto a Superintendência de Trânsito, como também a Guarda Municipal estão com um esquema especial para evitar novos ataques. Vamos presenciar essas rondas e observar os resultados. Caso contrário, o futuro é a paralisação", disse Miguel. A Prefeitura de Socorro informou que os dois veículos queimados já foram substituídos pela própria Atalaia. (Milton Alves Júnior e Gabriel Damásio)

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