Kátia Azevedo
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Com o objetivo de discutir medidas emergenciais para ajudar os municípios atingidos pela seca, foi realizado na manhã de ontem, 11, o 1º Encontro dos prefeitos do Semi-Árido sergipano, no Hotel Águas de Xingó, em Canindé do São Francisco.
O encontro reuniu prefeitos de várias cidades do sertão, além de produtores rurais e parlamentares. As queixas foram unânimes, ou seja, faltam recursos para enfrentar a estiagem, principalmente para o abastecimento d’água. Até o momento 18 municípios sergipanos já decretaram situação de emergência por causa da longa estiagem, considerada a pior dos últimos 40 anos.
Durante o encontro, os prefeitos apontaram a necessidade de maior presença da Defesa Civil no sertão através do Exército. Os gestores cobram mais carros pipas à disposição dos municípios para abastecer o povo e levar água para os animais. O prefeito de Canindé do São Francisco, Heleno Silva, abriu o encontro esclarecendo que a reunião pretende pautar reivindicações comuns à região.
Uma das propostas é o reforço na frota de abastecimento e a criação de uma malha de abastecimento através de bombeamento para todas as localidades do município de Canindé. Heleno Silva destacou que em linha reta, nenhum ponto geográfico do município fica a mais de setenta quilômetros de distância do rio São Francisco que margeia o estado, viabilizando a criação de uma política pública especifica para amenizar a seca.
Também está na pauta dos prefeitos a construção de novas barragens e a limpeza das que já existem. As reivindicações integram uma carta elaborada durante a reunião. O documento será entregue aos governos federal e estadual para pedir mais ajuda com ações de combate à estiagem.
O executivo estadual já planeja a construção de 700 Km de adutoras e a criação de novas formas de captação de água e criação de três grandes açudes e vinte barragens nos rios que passam a maior parte do tempo secos, além da perfuração de novos poços artesianos.
O prefeito de Canindé lembrou que o problema exige ações urgentes, considerando que cerca de 113 mil pessoas estão sendo atingidas diretamente pela seca. O gestor também sugeriu a criação de um fórum permanente, com reuniões periódicas nos municípios da região, para avaliar os efeitos da seca e o que está sendo feito em cada cidade para combater as suas consequências.
Heleno Silva advertiu para a queda brusca da produção de leite (em torno de 60%), que é considerado o grande ouro do sertão. "A nossa situação está muito difícil. As obras anunciadas pelo governo federal se esbarram na burocracia e não chegam ao Sertão. Estamos aqui juntos para dizer a Sergipe que os prefeitos do Alto Sertão estão pedindo ajuda ao seu povo", advertiu.
"Temos que agir rápido para que a unidade matriz produtiva do Sertão, que é a agropecuária, não entre em colapso, pois caso contrário, vamos viver dias terríveis na nossa região", afirmou. Heleno Silva propôs urgência para marcar uma audiência com o governador Marcelo Déda, "para que olho no olho e, se for necessário iremos a Brasília falar com o ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional, para buscar ajuda urgente para o nosso povo", prosseguiu.
Sofrimento – Antônio Fernandes Rodrigues, prefeito de Monte Alegre, reforçou o quadro preocupante apresentado por Heleno Silva. Ele chamou a atenção que a seca não acontece somente agora, mas se repete todos os anos devido ao fator climático natural da região. "A seca não é nenhuma novidade. Nós governantes, temos que encontrar soluções para que o nosso povo sofra menos", disse.
Como proposta, o prefeito de Monte Alegre sugeriu à Deso que realize uma vazão na adutora que passa próximo à barragem do povoado Vaca Serrada para que ela abasteça não só o município de Monte Alegre, mas também Porto da Folha e Poço Redondo. "Temos também os animais que estão morrendo de sede. Em Monte Alegre, temos um parque público onde a maioria dos criados está pegando água nesse açude para o rebanho, e dentro de algumas semanas, essa água vai acabar", relatou.
Já o prefeito de Nossa Senhora da Glória, José Erivaldo, lembrou que em 2007, na primeira reunião do orçamento participativo do governo estadual em seu município, pediu a então secretária Lúcia Falcon (Planejamento), a implementação de políticas estruturantes de recursos hídricos. De acordo com ele, a produção de leite, que era de 800 mil litros por dia, diminuiu para 150, 170 mil litros.
"Isso representava uma injeção de R$ 25 milhões por mês na economia da região. Hoje, a situação é caótica e preocupante. Ou fazemos alguma coisa, ou o Alto Sertão será a nova região citrícola de Sergipe, que já foi a mais rica do Estado e, devido à crise da laranja, hoje seu povo enfrenta a mazela e miséria", enfatizou.
Também presente no encontro, o deputado federal Valadares Filho assumiu o compromisso de ainda no final desse mês marcar uma audiência com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, para levar o documento aprovado no encontro, e assim solicitar ações não só emergenciais, mas também continuadas.
Ao final da reunião, os prefeitos apontaram reivindicações mais urgentes ao governo estadual e também formaram uma comissão provisória para a criação de uma associação de municípios do Alto Sertão. Também ficou definida a realização de outra reunião, com todos os 18 prefeitos, e com a presença do governador Marcelo Déda, para a discussão de questões emergenciais.
Compareceram ao encontro, os prefeitos das cidades de Poço Redondo, Roberto Araujo Silva, Francisco Carlos Nogueira do Nascimento, de Nossa Senhora da Glória, Antonio Fernandes Rodrigues dos Santos, de Monte Alegre, Antônio Andrade de Albuquerque, de Gararu, Verônica Santos Souza, de Nossa Senhora Aparecida, Albino Tavares de Almeida, de Porto da Folha, e Jonas de Oliveira Santos, de Feira Nova, além do deputado estadual João Daniel.
Principais reivindicações
Entre os principais pleitos apresentados pelos prefeitos estão:
• Duplicar o número de caminhões-pipa em cada município em situação de emergência;
•Discutir com a DESO a vazão das adutoras para o enchimento de barragens na região;
• Solicitar à COHIDRO a escavação de mais poços artesianos;
• Pedir ao governo estadual a ampliação na limpeza das barragens e açudes;
• Duplicar o número de cestas básicas;
• Retornar programa do governo estadual de limpeza de tanques individuais;
• Discutir a execução de dívidas dos agricultores rurais junto ao Banco do Nordeste.


