Cem famílias que ocupavam de forma irregular casas populares no Loteamento Itacanema, município de Nossa Senhora do Socorro, foram despejadas na manhã de ontem após uma liminar concedida pela Justiça sergipana a favor da administração municipal. Em construção desde o ano de 2007, no então governo de José do Prado Franco Sobrinho, as obras foram suspensas em decorrência de um problema entre a prefeitura e as construtoras responsáveis pelo serviço. Apesar do comunicado antecipado, cerca de 150 pessoas resistiram a reintegração de posse e, com a formação de duas barricadas de fogo contendo pneus e galhos de árvores, tentaram impedir o trabalho da Polícia Militar.
A fim de dar sequência ao mandado, duas equipes do Corpo do Bombeiro Militar foram acionadas para apagar as chamas e em sequência a Tropa de Choque iniciou o trabalho de reintegração. De acordo com o catador de latinhas Anderson Luz, há mais de três anos as famílias estavam residindo na localidade e pleiteando regularização por parte do atual prefeito Fábio Henrique (PDT). "A gente sabe que estamos aqui de forma irregular, mas não temos para onde ir e até já tentamos conversar com o prefeito para liberar a área pra gente. Se ele fizesse isso, garanto que os moradores iriam terminar a construção de cada casa", disse.
Em meio à revolta dos habitantes, oficiais de justiça tentaram por mais de duas horas convencê-los a liberar a pista e contribuir com o trabalho dos agentes. Apesar do clima tenso, nenhuma ocorrência de conflito foi registrada pela PM. De forma pacífica, os moradores foram se retirando do local e permitindo que a determinação judicial fosse devidamente atendida. Segundo Cleriston Alves, oficial de justiça que coordenou o trabalho, desde às 6h profissionais já estavam na região na tentativa de conscientizar os moradores a não criar empecilhos. "Recebemos essa missão e vamos cumprir a partir de hoje. Entendemos a situação difícil de cada um, mas estamos aqui apenas para respeitar a ordem que é devolver esse espaço para a prefeitura".
Conforme informações apresentadas pela Secretaria de Planejamento de Socorro, no local existem 264 casas. Assim que o trabalho foi concluído, já no final da tarde, o secretário de comunicação Henrique Matos informou que o próximo passo é cadastrar os imóveis e em um futuro próximo reiniciar as obras. "O próprio secretário do planejamento, Gleidson Oliveira, garantiu que as famílias serão cadastradas e incluídas em uma lista de cidadãos que pleiteiam casas populares". Mesmo aceitando retirar os pertences e deixar as casas, os manifestantes protestaram contra uma possível falta de apoio por parte da administração municipal e disseram não ter onde morar.
Pai de três filhos, Júlio Batista dos Santos disse que em nenhum momento agentes sociais foram até o Loteamento Itacanema com o propósito de disponibilizar um espaço temporário. "Nem um galpão foi liberado para que a gente pudesse ficar até arranjar a casa de um parente ou tentar ocupar uma casa abandonada em outro lugar da cidade. Disseram que podem chegar a passar um auxílio moradia, mas até agora nada de certo foi repassado para nós", lamentou.


