Gabriel Damásio
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Três caminhoneiros foram presos em flagrante nesta quinta-feira pela Polícia Federal, sob acusação de violar e furtar mercadorias despachadas pelo serviço de entrega rápida Sedex, dos Correios. A ação aconteceu na rodovia SE-368 (Linha Verde), entre as cidades de Estância e Indiaroba (região Sul), após uma investigação de três meses que contou com a participação de agentes da Gerência de Segurança Patrimonial da estatal. Dois dos presos, Erivaldo de Queiroz Rocha e Silvio Santos Araújo Junior, ambos de 33 anos, são motoristas das empresas Transpanorama e Ribeiro Transportes, as quais faziam o serviço terceirizado de entregas no Sedex. Já o comerciante Gilberto da Silva Lima, 30 anos, apontado como cabeça do esquema, é ex-motorista de uma das firmas e dono de uma loja em Estância.
Os três foram abordados e presos após Gilberto entrar em um carro com uma sacola na qual estavam guardadas as mercadorias furtadas. Com eles, foram encontrados cerca de R$ 30 mil em produtos como telefones celulares, câmeras fotográficas, notebooks, CD player, tablets, perfumes, brinquedos e roupas de marca. A PF também apreendeu uma pistola calibre 380 e dois carregadores com 21 munições, além de um carro VW Golf 1.6 Sportline de cor preta e placa IAG-9295/SE, que foi comprado por Gilberto um dia antes de sua prisão. O veículo era dirigido por uma irmã de Gilberto, que prestou depoimento e foi liberada por falta de provas que a ligassem ao esquema.
Ontem, a PF apresentou detalhes da investigação e revelou que o desvio de encomendas ocorria desde o final do ano passado, deixando um prejuízo estimado em R$ 1,6 milhão. O delegado José Leandro da Silva, chefe da Delegacia Regional de Crimes Patrimoniais (Delepat), explicou que os desvios de cartas e mercadorias costumam acontecer em todo o país, em uma média aproximada de 4% do total, mas o número de casos registrados em Sergipe foi considerado "excessivo e acima do normal" pelos Correios, que passaram a investigar com apoio da PF.
Os levantamentos apontaram que as encomendas do Sedex desapareciam durante o trajeto terrestre entre Salvador (BA) e Aracaju. Em geral, estas cargas são despachadas de avião para a Bahia e, após o desembarque, colocadas em caminhões das transportadoras a serviço dos Correios que seguiam para Sergipe. A forma como o roubo acontecia surpreendeu pelo planejamento, já que os caminhões são monitorados por sistema GPS e têm os horários de saída e chegada cronometrados, além de suas carrocerias serem lacradas após o carregamento.
"São dois caminhões que seguiam um atrás do outro e tinham a estratégia de parar rapidamente. Um dava cobertura ao outro para, na hora da parada, o carona entrar no baú. Depois que essa pessoa conseguia abrir o baú do caminhão, ela ficava lá durante meia hora de viagem, com uma lanterna, e escolhia os produtos de maior valor e os mais recentes. Depois os caminhões paravam de novo, ele descia do baú já com os produtos guardados em uma sacola, e voltava para a boleia do caminhão", explicou o delegado Daniel Horta Alves, do Núcleo Regional de Combate ao Crime Organizado da PF.
Conforme a polícia, eram três paradas nas quais os dois caminhões faziam no meio da estrada, sendo a primeira na região de São Francisco do Conde (BA), a 70 quilômetros de Salvador, onde Gilberto entrava no baú. A segunda, ainda na Bahia, era quando o acusado saía e descartava as embalagens das encomendas, as quais, de acordo com o delegado Leandro, eram queimadas para eliminar os registros de rastreamento. A terceira, já em Indiaroba, era quando o ex-motorista desembarcava dos caminhões e fugia com as mercadorias em um carro. Foi neste momento em que os agentes federais conseguiram interceptar o Golf e os caminhões.
Erivaldo, Gilberto e Sílvio foram autuados por crimes de furto qualificado, violação de correspondência e porte ilegal de arma. Eles confessaram os furtos e alegaram que agiam sozinhos. Já a irmã de Gilberto, que dirigia o carro, disse aos policiais que não tinha conhecimento do esquema e que, naquela manhã, o irmão lhe pediu uma carona até Estância, alegando que seu caminhão estava quebrado. "Nós vamos investigar se havia a participação de outras pessoas e como o Gilberto se evadia do local nos outros furtos", disse Daniel, descartando qualquer participação de funcionários dos Correios no esquema criminoso. Outra suspeita é de que os produtos desviados eram vendidos pessoalmente a várias pessoas, com preços abaixo do mercado. A direção regional dos Correios em Sergipe ainda avalia quais providências jurídicas e administrativas tomará quanto ao caso.


