Dos 75 municípios sergipanos, 97% suspenderam suas atividades administrativas de atendimento ao público nesta sexta-feira (1º). Em alguns municípios, a sede chegou a funcionar, mas diante da força do movimento, os gestores decidiram suspender os trabalhos. Os prefeitos sergipanos, em forma de protesto pela escassez de recursos federais, definiram o fechamento na segunda-feira (28), com a aprovação de mais de 60 prefeitos presentes na audiência pública promovida pelas Associações dos Municípios da Região do Centro Sul (Amurces) e da Barra do Cotinguiba e Vale do Japaratuba (Ambarco), além da Federação dos Municípios de Sergipe (Fames).
O presidente da Ambarco e prefeito de Nossa Senhora do Socorro, Fábio Henrique (PDT), avaliou como positiva a mobilização. "Trata-se de um dia que vai entrar para a história política de Sergipe. 97% prefeituras fechadas em protesto contra o descaso do governo federal com os municípios brasileiros. Os prefeitos de Sergipe deram um exemplo para o País nesse processo de somação de forças e mostraram unidade. Quero parabenizar a todos os envolvidos neste momento e dizer que essa é um primeiro passo".
"A semente foi plantada lá atrás, no evento preparatório, germinou na audiência pública com o governador e a bancada federal e agora é hora de colher frutos. Foi um sucesso, estão de parabéns a Ambarco, a Amurces e a Fames pelo poder de mobilização. Queremos agradecer a todos os envolvidos, em especial, a imprensa de Sergipe que mais uma vez deu uma grande contribuição na divulgação dessa que é uma questão que não interessa apenas aos prefeitos, mas aos munícipes também", completou o presidente da Ambarco. Por sua vez, o presidente da Amurces, Antônio da Fonseca Dória (PSB), o "Toinho de Dorinha", disse que o fechamento das prefeituras é a constatação de que os prefeitos estão unidos nessa causa e que não suportam mais o esquecimento do governo federal. "Essa mobilização foi um sucesso. E isso graças ao descaso com os municípios. Os prefeitos sergipanos foram transformados em mero pagadores de folha. Não sobra nada para investimentos e a ajuda que o governo federal muitas vezes viabiliza é através de empréstimos".
Em seguida, Toinho de Dorinha emendou dizendo que "os prefeitos estão de parabéns que nos ouviram e pararam. É um protesto, é uma semente plantada e que não pode parar por aí. Vamos continuar mobilizados, vamos somar forças com o restante do Nordeste e vamos fortalecer o movimento do próximo dia 12, em Brasília (DF), quando contamos com as presenças e o apoio não só dos gestores, mas do governador e de toda a bancada federal. Os deputados estaduais que se somarem a nossa luta também serão bem vindos".
Pauta – Os prefeitos sergipanos têm na pauta municipalista vários temas como o aumento de 2% do FPM (Fundo de Participação dos Municípios); a PEC do orçamento impositivo que obriga a União a liberar as emendas parlamentares do OGU; e retirar do cálculo da Lei de Responsabilidade Fiscal as despesas e receitas do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Os prefeitos sergipanos também apóiam o piso nacional dos agentes de saúde, desde que haja a contrapartida do governo federal.
Mobilização – Está marcada para o dia 12 de novembro a próxima Mobilização Permanente, organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). A pauta é formada pelos projetos de interesse municipalista que tramitam no Congresso Nacional. Em especial o aumento de 2% no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 39/2013. O presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski, pede a presença de prefeitos, vices, secretários e vereadores para dar força à mobilização. Assim como em outras ocasiões, os gestores devem se reunir, logo pela manhã, às 9h30, no Auditório Petrônio Portela, do Senado Federal.


