Gabriel Damásio
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A Polícia Civil anunciou ontem a prisão de um dos envolvidos na morte do funcionário público Antônio Fernando de Oliveira, 63 anos, que era gerente do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Nossa Senhora das Dores (Sertão) e foi assassinado em sua casa no dia 7 de maio. O desempregado Bruno Vinicius Oliveira Silva, 19 anos, foi preso na tarde de quarta-feira em Itabi (Agreste), onde estava escondido na casa da mãe. Por meio de testemunhas, a polícia descobriu o envolvimento de Bruno, que teve sua prisão temporária decretada pela Justiça, e de um segundo homem já procurado pela polícia, o qual não teve sua identidade revelada.
As investigações começaram logo após a descoberta do corpo, em uma casa alugada há cerca de três meses pelo servidor no centro de Dores. Segundo o delegado João Eduardo Dantas, as pistas surgiram com a informação de que Antônio foi visto em um bar com dois homens, na noite anterior ao crime. "Considerando que ele estava há pouco tempo na cidade, traçamos uma linha dos últimos passos dele no dia anterior, com quem esteve, onde estava… e chegamos a dois suspeitos. Diante do não reconhecimento imediato, constatamos que esses suspeitos seriam de fora do município, mas de relação íntima da vítima, uma vez que se apresentaram e passaram algum tempo conversando, como se fossem realmente conhecidos ou amigos", afirmou Dantas.
Os policiais então chegaram a Bruno, que é de Itabi, mas viveu um tempo em São Paulo e voltou a morar em Aracaju no mês de março. Segundo a polícia, o servidor assumia ser homossexual e chegou a ter alguns encontros com o suspeito. As investigações revelaram que, após chegar de São Paulo, Bruno esteve em uma agência do INSS da capital, onde Antônio trabalhava antes de ser transferido para Dores. Lá, vítima e autor teriam trocado telefones e combinado um primeiro encontro.
A polícia então conseguiu uma foto do desempregado, por meio do circuito interno de TV da agência – e foi por esta foto que uma testemunha reconheceu o suspeito como um dos acompanhantes. "O primeiro contato entre eles foi feito pelo dia. O vigilante viu, algumas pessoas testemunharam, descreveram esses indivíduos ao delegado, e o delegado, de forma inteligente, seguiu as informações que foram sendo colhidas, e conseguiu localizar o acusado na casa de parentes em Itabi", confirmou o coordenador de Polícia do Interior, delegado Everton Santos.
Em depoimento, Bruno admitiu que passou a noite do crime com o servidor, mas negou ter sido o autor das facadas contra ele. "O autor do fato alega que, juntamente com o parceiro, foram para a residência da vítima com o intuito de manter relações sexuais, mas houve uma discordância quanto ao papel sexual de cada um, vítima e autor. E nessa discussão, um deles desferiu a faca na garganta da vítima, sendo ajudado também pelo outro parceiro, que segurou a vítima para que isso acontecesse", contou Eduardo. "O início da desavença, segundo o Bruno, foi com o outro parceiro, e não com ele, mas no momento em que houve a luta corporal, ele ficou do lado do comparsa, segurando a vítima e facilitando os golpes", acrescentou Everton.
Após ser preso em Itabi, o desempregado apontou que a arma do crime, uma faca de cozinha, foi jogada no vão entre o muro da casa de Antônio e o da residência vizinha. O objeto foi retirado do local através de um ímã amarrado em fios de arame. A polícia afirmou que, até o momento, não foi confirmado qualquer sumiço de documentos, cartões bancários ou objetos de valor. Para Everton, o crime está praticamente esclarecido e agora, a prioridade é prender o outro suspeito, o qual "pode ser preso a qualquer momento".


