Aracaju volta a se transformar em um canteiro de lixo doméstico e comercial. Sem cumprir os pagamentos junto à empresa Torre, a Prefeitura de Aracaju deixa de contar com o serviço operacional de aproximadamente 1.400 trabalhadores. Isso porque até à tarde de ontem a categoria estava pela quinta vez somente neste ano de 2015, sem receber o ticket alimentação no valor de R$ 234, e do vale transporte e a cesta básica equivalente a R$ 100. Enquanto os bairros, em especial aqueles localizados na zona Norte se enchem de lixo, a prefeitura, por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), garante que já regularizou a questão e que aguarda pelo reinício imediato das atividades.
Em contrapartida, sem os benefícios financeiros depositados nas contas dos trabalhadores, a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindlimp) volta a protestar contra a desordem administrativa vivenciada na atual administração do prefeito João Alves Filho e não descarta a possibilidade de deflagrar ainda essa semana uma greve geral e por tempo indeterminado. Na última terça-feira, 03, uma paralisação de duas horas foi articulada pela classe trabalhadora; já durante o dia de ontem a suspensão da coleta foi de 12 horas seguidas. Na avaliação do presidente da categoria, Rayvanderson Fernandes, o que estão fazendo com os garis, margaridas e demais funcionários da Torre é uma ‘covardia’.
O sindicalista confirmou que buscou o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE), e o Ministério Público do Trabalho (MPT/SE), a fim de comunicar a reincidência dos fatos. Segundo o presidente, os profissionais da limpeza urbana além de não contarem com boas condições de trabalho, em mais uma ocasião sofrem por não serem respeitados quando deixam de receber o vale transporte e a cesta básica. "O direito de greve está aí para todos os trabalhadores que vivem em um país democrático como é o Brasil. Por um lado a prefeitura diz que pagou, por outro a empresa Torre afirma que não. Enquanto isso nossas contas ficam vazias e por isso estamos nos mobilizando", afirmou.
Ao contrário da última terça-feira, desde a manhã de ontem a direção da Torre preferiu não se manifestar junto aos meios de comunicação sobre o atraso no repasse da nota do mês de outubro que deveria ter sido quitada até o dia 13/10. Esse montante financeiro soma um valor em torno de 5 milhões de reais. Há menos de quatro meses um acordo foi firmado e homologado no TCE, destacando o parcelamento da dívida da Emsurb de 25 milhões de reais em 15 vezes. A decisão foi cumprida em setembro, mas em outubro a nota do mês não foi cumprida, comprometendo o pagamento da folha da Torre. A empresa possui três contratos vigentes com a Emsurb, sendo eles de prestação de serviço de limpeza pública de Aracaju relativa à coleta, transporte e descarga de resíduos sólidos urbanos.
Possui ainda um contrato relativo à limpeza urbana; recebimento, triagem e disposição final dos resíduos de construção civil. Uma sindicância realizada pelo TCE nos contratos constatou um débito de 48 milhões de reais, dos quais cerca de R$ 23 milhões eram oriundos de gestões anteriores. "É dívida demais e cumprimento dos direitos trabalhistas de menos. Esperamos que o MPT também possa intervir a favor dos garis e margaridas que sofrem demais desde 2013. Enquanto os nossos salários, tickets alimentação e transporte continuarem em atraso, não iremos sossegar com os atos públicos. Se não representam os nossos direitos, o trabalhador cruza os braços e a coleta fica suspensa", pontuou Rayvanderson.


