Gabriel Damásio
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A gestão do Governo de Sergipe na área de Educação foi reprovada, por mais um ano seguido, na "Prova Final da Educação Pública", realizada todos os anos pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Oficial de Sergipe (Sintese). A pesquisa, feita com 4.753 professores filiados ao sindicato em todo o Estado, teve o seu resultado divulgado ontem em um ato público no Calçadão da João Pessoa, centro da capital. A surpresa de 2015, no entanto, foi para a nota atribuída pela categoria: 1,1 – a pior já obtida pelo Governo desde que a avaliação foi iniciada.
No levantamento, que começou a ser aplicado em novembro, os professores deram notas de 0 a 2 em cada um dos cinco itens questionados pelo Sintese: Gestão Democrática; Valorização profissional; Condições de trabalho; Qualidade Social do ensino; e garantia de direitos do Plano de Carreira e Estatuto. A soma dos pontos nos cinco temas resultou nas notas de cada gestor, as quais foram recolhidas nas escolas (municipais e estaduais) e secretarias de todo o Estado por 175 urnas itinerantes do sindicato.
Para a presidente da entidade, Ângela Melo, a nota baixa resulta de todas as tensões criadas pelo governo Jackson Barreto (PMDB) com os professores em 2015, ano marcado por uma greve de 30 dias, a ocupação do saguão do Palácio de Despachos (em junho), cortes de pontos, campanhas públicas com forte troca de
acusações entre os dois lados e a falta de reajustes exigidos pela Lei do Piso do magistério.
"Esta nota é o reflexo de uma política de desvalorização da educação pública no Estado de Sergipe. É o reflexo de como uma professora que está em sala de aula e, às vésperas de receber o décimo-terceiro salário, o governo que ele não terá esse benefício. Quando o sindicato prova com documentos de que há condições para pagar o salário e o décimo dos professores, o governo volta atrás e sai com nota dizendo que o sindicato é mentiroso. Não há como discutir com um governo que debocha dos estudantes e professores", criticou Ângela, apontando também que a maioria das escolas da rede estadual apresenta problemas de estrutura física e de apoio aos alunos, como a falta de alimentação e de livros didáticos.
Posição da Seed – A Secretaria Estadual de Educação (Seed) divulgou nota afirmando que "uma das primeiras providências do secretário Jorge Carvalho foi o de apresentar à sociedade o diagnóstico da Educação em Sergipe, refletindo em diversos fóruns o quadro de queda nos índices educacionais" e que o governo "tem se esforçado para reverter esta situação", através de projetos como o "Sergipe Educa Mais". A nota faz ainda uma crítica indireta ao Sintese, ao cobrar mais engajamento dos professores. "Visando alcançarmos esta melhoria, é preciso o engajamento de todos: os professores em sala de aula com verdadeiros compromissos educacionais, o compartilhamento de municípios e também a rede privada de ensino. A batalha para reverter este quadro tem que ser pedagógica, de gestão educacional compromissada e não apenas salarial. O governo de Sergipe não medirá esforços para atingir esta meta", conclui a Seed.
Municípios – As 74 prefeituras do interior do estado e da Grande Aracaju também foram avaliadas na pesquisa do Sintese e ficaram, em sua maioria, abaixo da média. As reprovações atingiram principalmente cidades que enfrentaram greves e paralisações em suas redes municipais de ensino, devido aos atrasos no pagamento de salários e a não concessão de reajustes.
Apenas 14 municípios tiveram notas acima de 5,0, o que equivaleria à aprovação do ano letivo. A melhor nota, de 7,1, foi atribuída à rede municipal de Itabaiana (Agreste), cuja prefeitura conseguiu bons avanços nas negociações com o Sintese e conseguiu manter o pagamento dos educadores em dia. Por outro lado, o pior resultado foi dado a São Cristóvão (Grande Aracaju), que teve nota 0,3 após sua gestão ser marcada por denúncias de fraudes com recursos da merenda escolar, feitas em reportagens da rede SBT que foram ao ar em maio e provocaram a queda da prefeita Rivanda Batalha (PSB).
Para o Sintese, não foi apenas isso. "As notas aos prefeitos em 2015 é um reflexo de como vivemos os 365 dias do ano. Com escolas sucateadas, falta de alimentação escolar, falta de transporte escolar ou quando existem os veículos põem em risco a vida dos estudantes, desrespeito ao mais básico dos direitos que é o recebimento dos salários em dia", considera o diretor de bases municipais do Sintese, Uilson de Menezes.


