Kátia Azevedo
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Os professores da rede estadual de ensino voltaram a cobrar ações articuladas para o enfretamento à violência nas escolas. O tema foi discutido na última quarta-feira, 03, com a direção da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e órgãos envolvidos na comissão que está elaborando medidas com o objetivo de buscar providências contra o crescente número de crimes dentro dos espaços escolares.
Durante a reunião, a Diretoria de Educação de Aracaju (DEA) apresentou um diagnóstico sobre a situação de segurança das escolas. Os dados foram coletados pela comunidade escolar de cada unidade de ensino que identificou as principais fragilidades quanto à proteção de servidores e estudantes nas escolas.
De acordo com informações de Leila Moraes, diretora do Departamento de Educação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), a Seed ainda não apresentou ao grupo as ações que está desenvolvendo para resolver o quadro de violência nas unidades de ensino.
A professora destaca que o mapeamento das ações existentes vai contribuir com a mudança necessária da atual conjuntura de violência nas unidades de ensino.
"Queremos uma rede sistemática de ações articuladas entre os vários órgãos que compõem a comissão para efetivar medidas de enfrentamento à violência nas escolas. Os projetos já existem, mas falta diálogo entre as secretarias para que as medidas se tornem coletivas e não individualizadas", enfatiza Leila Moraes.
Entre os encaminhamentos da reunião, foi programada uma nova audiência com a secretária de Estado da Educação, Hortência Araújo, na manhã da próxima quarta-feira, 10.
Neste dia, a Seed deverá apresentar um plano de ações a partir de parceiras com outros órgãos a exemplo da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e Cultura. A apresentação do plano será realizada durante reunião da Seed com os docentes da rede.
As discussões sobre atos de violência nas escolas foram iniciadas após a criação de uma comissão formada por representantes de secretarias estaduais e professores.
A primeira reunião da comissão ocorreu dois dias depois da tentativa de homicídio praticada por um aluno contra o professor de biologia Carlos Cristian Almeida Gomes dentro da Escola Estadual Professora Olga Barreto, no Conjunto Rosa Elze, no município de São Cristóvão.
Os professores estão discutindo alternativas pedagógicas e de segurança para evitar novos casos de violência nas unidades de ensino. A proposta inicial foi articular as ações de caráter preventivo e emergencial envolvendo o combate ao uso de drogas e do armamento nos arredores e dentro das escolas e a aplicação de forma gradativa de Projetos Políticos Pedagógicos mobilizando todos os atores das escolas.
O grupo que forma a comissão já tem representações das secretarias de Segurança, Política para Mulheres, Comitê Estadual pelo Desarmamento, Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, Delegacia Especial de Proteção a Criança e ao Adolescente, além da participação de pais, responsáveis pelos estudantes e gestores das escolas estaduais Albano Franco e Rodrigues Dórea.
"A partir da apresentação do plano, a ideia é fazer um projeto-experimental em algumas escolas que apresentam uma situação mais crítica na atual conjuntura da violência envolvendo as unidades de ensino", informa Leila Moraes.
Violência continua – Ainda sem ações concretas, a violência nas escolas continua avançando no Conjunto Rosa Elze, no município de São Cristóvão, mesma cidade onde o professor de biologia Carlos Cristian Almeida Gomes foi alvejado no dia 12 de agosto. Desta vez, o fato aconteceu na Escola Municipal Doutor Martinho de Oliveira. O prédio funciona provisoriamente em uma casa que foi invadida. Foram levados dois botijões e toda a merenda escolar.


