Milton Alves Júnior
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Manifestantes do ‘Movimento Não Pago’ e do bairro 17 de Março promoveram no final da tarde de ontem mais um bloqueio de via em Aracaju. O objetivo do ato era cobrar o não reajuste da tarifa de ônibus e moradia digna para os invasores das casas populares construídas pela prefeitura da capital. Reunidos em frente à Câmara Municipal de Vereadores (CMA), os populares voltaram a chamar de ‘vagabundos’ os 16 parlamentares que foram a favor do reajuste. A Tropa de Choque da Polícia Militar e agentes da Guarda Municipal mais uma vez foram acionados para conter os manifestantes mais exaltados.
Equipados com escudos e armamentos que disparam balas de borracha, cerca de 20 agentes do Choque acompanharam de longe a mobilização e garantiram não ter a permissão para desobstruir a via. Segundo o tenente J. Lima, responsável pela operação, a guarnição estava disposta a não entrar em atrito com os populares e apenas utilizar da força em último caso. "Nós nunca fomos designados a uma missão para utilizar unicamente da nossa força. Muito pelo contrário, sempre trabalhamos com o consenso e colaboração de todos. Queremos manter a ordem, e essa é a nossa missão na tarde de hoje", declarou.
Ainda de acordo com o militar, pela central policial não foram repassadas informações precisas da ocorrência. Para J. Lima, o fundamental era tomar conhecimento integral dos fatos para em seguida atuar. "Soubemos que havia uma manifestação na frente da CMA e viemos para evitar a depredação do bem público. Pelo pouco tempo que estamos aqui, percebe-se que eles estão reivindicando pleitos e não apresentam sinais de vandalismo ou desacato à autoridade", pontuou. Em decorrência da ocupação da via, o trânsito local ficou congestionado e duas equipes da – SMTT/AJU – Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito – foram acionadas para regularizar o fluxo de veículos.
Enquanto na parte externa da Casa cerca de 200 manifestantes ocupavam a rua, nas galerias mais de 30 reivindicavam pleitos. Garantindo estar sem condições de seguir os trabalhos legislativos, o presidente da CMA, Vinícius Porto (DEM), encerrou temporariamente os debates. Em entrevista exclusiva ao JORNAL DO DIA, o parlamentar, após reunião extraordinária com representantes dos dois movimentos, disse que medidas já estavam sendo adotadas para que haja um entendimento entre a população e o poder público. "Acho que os manifestantes contra o reajuste da tarifa de ônibus deveriam ter nos procurado na semana passada antes da votação, mas mesmo assim os vereadores vão intermediar o debate com a secretária Gerolize Teles e o presidente da SMTT Nelson Felipe", declarou.
Quanto ao pleito dos moradores do bairro 17 de Março, Vinícius Porto afirmou que foi acertada uma reunião para hoje envolvendo vereadores e líderes comunitários. "A sessão de hoje teve que ser suspensa justamente para realizar essa reunião inesperada que vocês acompanharam. Ouvimos o que eles tinham a nos reivindicar e um debate mais complexo foi marcada para essa quinta-feira", disse. Por fim, questionado a respeito dos manifestantes realizarem um ato público em frente à CMA, o presidente disse que eles, os vereadores, não podem mais promover uma nova votação. "Todo o processo a ser realizado aqui já foi feito. Essa manifestação não mudará em nada a decisão oficializada na semana passada", concluiu.
Protestos – Inconformado com o reajuste de 8,8% na tarifa do transporte coletivo, o estudante Cleydson Carlos alegou que uma possível falta de diálogo com a população proporcionou no início das manifestações em terminais de integração e órgãos públicos do município. Segundo ele, caso a tarifa seja de fato reajustada de R$ 2,25 para R$ 2,45, outras manifestações serão promovidas e a cidade vai parar. "Antes da votação nós garantimos que iríamos parar a cidade se fosse reajustada a tarifa, agora todos percebem que não estávamos de brincadeira", informou.
Em parceria com o ‘Movimento Não Pago’, a Associação dos Moradores do Bairro 17 de Março afirmou que não iria cessar com os atos caso as reivindicações não fossem aceitas pela Prefeitura de Aracaju. Cobrando do prefeito melhores políticas públicas, Elaineara Santos Rocha disse que há pouco mais de um mês a administração garantiu melhores condições de vida, mas até o momento as famílias continuam residindo em barracos em uma praça pública.
"João Alves e seus representantes que estiveram na desocupação até agora não cumpriram com as promessas de melhoria. Esse é o prefeito que disse ser a solução, o João que fez tudo pelo povo e constrói um futuro com amor e trabalho? Enquanto não cumprirem o que nos foi garantido, a gente continua manifestando em parceria com o movimento contra a tarifa", disse.
De acordo com a assessoria de comunicação da CMA, a reunião citada por Vinícius Porto será realizada na manhã de hoje na sede da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas).


