Capitão PM é preso por mortes em Poço Verde

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um policial militar é o primeiro suspeito preso por envolvimento com os cerca de 17 assassinatos ocorridos nos últimos seis meses em Poço Verde (Centro-Sul), os quais teriam sido cometidos por um possível grupo de extermínio. O capitão reformado Josenildes Rodrigues de Santana, 60 anos, foi detido em sua casa na noite de anteontem e recolhido ao Presídio Militar de Aracaju (Presmil).

A prisão do policial aposentado foi cumprida pelo major Carlos Rollemberg, comandante do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), e ordenada pelo chefe do Estado-Maior Geral (EMG), coronel Luiz Fernando de Almeida, que ocupa interinamente o cargo de comandante-geral da corporação. O titular, coronel Maurício Iunes, está em São Paulo (SP) e participa de um encontro com todos os comandantes-gerais das polícias militares brasileiras. Luiz Fernando decidiu prender Santana após ser informado de que a Polícia Civil encontrou "fortes indícios" da participação do acusado com o grupo de justiceiros que estaria agindo na cidade.

Segundo o major Paulo César Paiva, chefe de relações-públicas da PM, Santana foi punido com uma prisão disciplinar preventiva de 72 horas, mas teve sua prisão preventiva pedida ao juízo da Comarca de Poço Verde. O pedido foi entregue formalmente ontem ao Ministério Público local pelo delegado Everton Santos, coordenador de Polícia do Interior, responsável pelas investigações do caso. A decisão da Justiça pela confirmação ou não da prisão preventiva poderá ser tomada ainda hoje.

Antes de ir à Poço, Everton teve uma reunião reservada com o coronel Luiz Fernando e lhe revelou detalhes das investigações contra o capitão. "Lamentavelmente, foram verificados indícios do envolvimento dele nessa situação do grupo de extermínio. Até por conta da proteção desta investigação, não temos muitos detalhes, mas posso adiantar que o capitão foi citado por algumas testemunhas durante o curso das investigações. O coronel Luiz Fernando, entendendo a gravidade da situação, decidiu imediatamente por esta prisão, como forma de garantir a própria segurança do capitão Santana, dos outros envolvidos e da sociedade", confirmou Paiva.

O acusado já pertenceu a várias unidades da corporação, sendo a ultima delas o Batalhão Especial de Segurança Patrimonial (Besp), e está fora das atividades da PM há muitos anos. Por isso, ele deve responder ao processo judicial como um cidadão comum, isto é, sem as prerrogativas previstas aos militares. Ele também já respondeu a outros processos disciplinares enquanto esteve na ativa. Até o momento, não houve confirmação formal do envolvimento de outros policiais com as mortes atribuídas ao grupo de extermínio em Poço Verde. "A prisão foi uma iniciativa da própria Polícia Militar, que, obviamente, não admite e nem compactua com qualquer indício de participação de qualquer um de seus integrantes, seja ele reformado ou da ativa, em uma situação como essa", frisou o relações-públicas.

Outro suspeito – Além do capitão aposentado, um segundo suspeito de integrar o grupo de extermínio já teve sua identificação confirmada pelo delegado Everton Santos: é o ex-presidiário José Augusto Aurelino Batista, 40, que já respondeu a outros processos na Comarca de Poço Verde por homicídio e lesão corporal. Aurelino é considerado foragido e, segundo a polícia, sua prisão é a principal chave para esclarecer todas as 17 mortes investigadas.

A sequência de assassinatos foi tema de um dossiê do Ministério Público local, o qual apontou que boa parte dos jovens assassinados tinha algum envolvimento com a criminalidade no município e que alguns deles tiveram os corpos achados em locais desertos de Poço Verde ou de cidades vizinhas da Bahia. O dossiê foi revelado no início do mês pela deputada estadual Ana Lúcia Menezes (PT), em pronunciamento na Assembleia Legislativa, e levou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) a criar uma força-tarefa das polícias Civil e Militar para a apuração dos crimes.

Compartilhe esta notícia