Gabriel Damásio
Terminou por volta das 10h deste sábado a rebelião dos presos do Pavilhão C do Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). Segundo informações confirmadas pelas secretarias de Justiça (Sejuc) e Segurança Pública (SSP), os cerca de 80 detentos da unidade mantiveram 97 pessoas como reféns durante mais de 19 horas, após impedirem a saída delas no final do horário de visitas. Após uma longa e tensa negociação com integrantes das secretarias, da Polícia Militar e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), os presos se renderam e liberaram os familiares, em sua maioria mulheres e crianças, em três grupos.
As primeiras a saírem do Compajaf, às 18h de sexta, foram duas mulheres e duas crianças que apresentaram problemas de saúde. Mais tarde, à 1h da madrugada, outros 23 reféns deixaram o presídio. Os 70 restantes foram libertados de manhã, após a rendição dos presos. Algumas mulheres alegaram a jornalistas que quiseram permanecer no presídio até o fim da rebelião, por medo de que seus companheiros fossem agredidos pelos policiais que lá estavam. E reclamaram que o fornecimento de água, comida e energia dentro do pavilhão foi cortado durante a madrugada.
Outras disseram que foram feridas por tiros de bala de borracha disparados durante alguns tumultos registrados entre os rebeldes e os agentes de disciplina da empresa Reviver, responsável pela administração do presídio. A Sejuc, por sua parte, afirmou que o uso dos tiros e de gás de pimenta foram direcionados para conter os presos exaltados e não contra os parentes. Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Robson Santos de Barros, disse que os incidentes no Compajaf serão apurados e avaliados para detectar se houve atos de violência.
O secretário estadual de Justiça, Cristiano Barreto, participou diretamente das negociações com os presos e destacou, por meio da assessoria, que a ação das autoridades foi rápida para impedir a fuga dos presos ou o alastramento do levante para outros pavilhões do complexo. “Não houve nenhuma fuga no Comapajaf pois, quando o problema começou nós adotamos todos os procedimentos de segurança necessária. O diálogo foi intenso e conseguimos convencer os internos a liberarem seus próprios familiares”, explicou, pontuando que os agentes e guardas prisionais que atuam no Compajaf foram ágeis em adotar os primeiros procedimentos de contenção.
Durante a rebelião, o presídio foi cercado por militares do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp), Grupamento Especial Tático de Motos (Getam) e do Corpo de Bombeiros, além de ambulâncias do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Duas pessoas feridas foram encaminhadas a hospitais: uma mulher que teve 35% do corpo queimado ao atear fogo em pneus no lado de fora do presídio, e o vice-diretor do Compajaf, João Marcos de Souza Campos, que foi atingido com uma pedrada no rosto, no início da rebelião, e teve dois dentes quebrados. A direção da unidade abriu uma sindicância para identificar e processar o autor da agressão.
Os presos do complexo e seus parentes protestavam contra o procedimento de revistas dos visitantes. Algumas mulheres alegavam que, mesmo tendo passado por uma máquina de scanner corporal, teriam sido obrigadas a tirar as roupas e passar por exames de toque. O diretor do departamento Estadual do Sistema Penitenciário, Agenildo Machado Júnior, esclareceu que as mulheres com suspeita de terem objetos ilícitos escondidos no corpo, como drogas, armas brancas e telefones celulares, são levadas para uma delegacia de policia e encaminhadas para exames de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML).

