As pretensões de pendor ufanista, segundo as quais o Brasil reúne todas as condições para falar grosso, em pé de igualdade com as maiores potências econômicas mundiais, esbarram sempre nos dados que espelham a insuficiência do investimento em educação. Aqui, a principal deficiência é de capital humano. Mesmo os egressos das nossas melhores escolas não são páreo para a média dos estudantes formados, mundo afora.
Estudantes brasileiros de perfil socioeconômico e cultural mais elevados têm capacidade de leitura pior que a de alunos pobres de outros países, segundo o Pisa, avaliação internacional da educação, divulgado ontem. Os alunos brasileiros marcaram, em média, 415 pontos no ranking de leitura, o que coloca o país em 42º segundo lugar numa lista de 77 -o Pisa considera Macau e Hong Kong, territórios da China com administração própria e certo grau de autonomia, como entidades independentes.
Quando se faz o recorte por classe, a média do grupo dos alunos mais ricos chega a 470 pontos, o que coloca o país em uma posição pior, comparativamente, em relação aos outros analisados no mesmo grupo de renda -cai para a 54ª posição.
O dado mais alarmante, entretanto, ainda não foi mencionado. A nota dos estudantes mais ricos do Brasil é superada pela dos mais pobres de dez países ou regiões, incluindo Cingapura, Estônia e Coréia do Sul.
Ou seja: Em um futuro imediato, a elite tupiniquim seguirá sem condições de sentar à mesa para discutir qualquer matéria mais complexa com boa parte das lideranças do mundo. Perpetua-se, assim, a eterna vocação agrária e extrativista desta República de Bananas. Sem uma mudança de postura, Inteligência e tecnologia seguirão em falta.


