Insatisfeitos com a crescente onda de violência no sistema de transporte coletivo, os rodoviários ameaçam paralisar, a partir de amanhã, outras linhas noturnas que circulam em Aracaju e região metropolitana. A categoria ainda não chegou a uma negociação sobre a retomada dos ‘corujões’, suspensos desde o dia 22 de janeiro.
De acordo com a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra), tudo vai depender dos encaminhamentos de uma nova reunião que será realizada hoje, às 10h, entre a categoria e representantes da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) para discutir sobre medidas de segurança nos ônibus e terminais. Outra pauta é a possível reativação dos ‘corujões’.
A reunião será na sede da SMTT e também contará com a participação de órgãos de segurança, representantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes e Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp). O grupo vai dar continuidade às discussões iniciadas na última segunda-feira, na busca de medidas de enfrentamento a assaltos que vêm ocorrendo nas linhas dos corujões.
"Por enquanto foi apresentada uma proposta de que os corujões circulem com dois policiais, mas, no entendimento do Sinttra, esta sugestão é inviável, considerando que temos pouco efetivo policial. Além disso, acreditamos que esta medida não surtirá efeito. O mais apropriado é reforçar a segurança com abordagens e rondas policiais nos locais mais críticos. Esta reunião será decisiva para que seja evitada uma greve manhã", avalia Miguel Belarmino da Paixão, presidente do Sindicato dos Rodoviários.
De acordo com Miguel, se os órgãos de segurança não apresentarem alguma medida concreta, a categoria vai paralisar as atividades a partir das 19h de amanhã. "As linhas consideradas mais criticas deixarão de circular neste horário e só serão retomadas após a adoção de medidas de segurança", avisa Miguel.
Ele salientou que a paralisação do serviço noturno é uma forma de proteger motoristas, cobradores e usuários do transporte coletivo das constantes situações de assaltos na capital. Ele lembrou que além da SMTT, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) está elaborando um planejamento operacional para reduzir a quantidade de crimes praticados nos ônibus e que a categoria está aguardando audiência com o governo para apresentar o documento.
Sobre o avanço de casos relacionados à prática de roubos e assaltos aos transportes coletivos, Miguel ressalta que os números são assustadores nos últimos anos, com 800 registrados em 2013. O ano de 2009 foi o mais critico, com 1200 registros. Em 2012, os casos tiveram uma queda, com 370, e voltaram a crescer no ano passado.
Além de maior presença policial, o sindicato também apoia a proposta apresentada pelos empresários do transporte coletivo em adotar a bilhetagem eletrônica para inibir assaltos. A medida é vista como importante, por reduzir a quantidade de dinheiro circulando nos ônibus. "Estamos discutindo alternativas, mas é importante lembrar que o ‘corujão’ permanece em serviço suspenso até uma definição sobre a aplicação de medidas de proteção", ressalta Miguel.


