Convidado especial para a abertura do II Encontro de Mesas Diretoras dos Conselhos Estaduais da Saúde, Rogério Carvalho esteve, na tarde desta quarta-feira, na Fundação Estadual de Saúde a fim de palestrar sobre os programas de saúde federais, os cortes de recursos para a área e o papel dos conselhos estaduais de Saúde da região Nordeste face à proposta do Saúde +10.
Médico e além de ex-secretário municipal e estadual da Saúde, Rogério foi especialmente escolhido para o momento, como ressalta o vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde de Sergipe, Eduardo Ramos Gomes. “Rogério Carvalho representa um divisor de águas na saúde em Aracaju e em Sergipe. Há uma saúde antes e depois de Rogério e os números comprovam isso. Foi ele que implantou e incentivou o desenvolvimento dos conselhos de saúde em Aracaju – são poucas as cidades do país nas quais cada unidade de saúde possui um conselho. Já no Estado, em 2007, ele deu dignidade aos membros do conselho que passaram a serem escolhidos por meio de eleições realizadas democraticamente”, declarou Eduardo.
Ainda destacando o trabalho de Rogério Carvalho, o vice-presidente lembrou que em todo o Brasil há alguém formado por ele. “Eu sou um deles”, afirmou. “Rogério Carvalho é referência nacional na área”, completou.
Em explanação para uma plateia formada por conselheiros de oito estados do Nordeste, Rogério Carvalho recordou o momento de implantação do Conselho Estadual da Saúde. “Não foi simples, mesmo com uma lei estabelecendo um critério de paridade e sendo um processo lícito, feito da forma mais adequada”, lembrou. Ele ainda falou da Lei de reestruturação do Fundo Nacional da Saúde, por meio da qual foi possível separar o dinheiro da Saúde das demais verbas do Estado, algo que costumava dar muitos problemas.
Outro tema abordado na sua fala foi a importância da definição do padrão das complexidades hospitalares. “Cerca de 70% dos serviços hospitalares não são baseados no estado de saúde do indivíduo. Se alguém apresenta um caso grave e precisa ser operado, mas tem risco de morte menor do que outra pessoa, não deve ter prioridade apenas por ter uma relação mais próxima com quem vai operar. O que deve prevalecer é o quadro clínico”, destaca Rogério.
Na ocasião, Rogério Carvalho ainda lembrou a sua tese de mestrado na qual versou sobre o Padrão de Integralidade, tema que, segundo ele deve ser amplamente discutido pela sociedade. “Não se faz saúde pública sem uma rede. Também não há como garantir o acesso universal sem uma capacidade instalada. Para isso, é preciso dobrar o gasto em saúde, promover uma aliança com o movimento dos trabalhadores a fim de criar uma pauta de interesse público e engajar a luta política de verdade. Afinal de contas, no Brasil, a saúde como um direito de cidadania não é consenso, assim como a inclusão pelo direito.


