Rompimento de Belivaldo ameaça reeleição de Fábio Mitidieri

E qual a razão de Francisquinho assustar tanto a Fábio Mitidieri quanto aos seus aliados? Logo depois da realização do primeiro turno em 2022, a justiça eleitoral informou que o ex-prefeito de Itabaiana obteve 457.922 votos, o equivalente a 37,6%

O rompimento do ex-governador Belivaldo Chagas (Pode) com o governador Fábio Mitidieri (PSD) deu uma nova dinâmica na política sergipana, marcada pelo marasmo e continuidade desde a chegada de Marcelo Déda (PT) ao governo em 2006. De lá pra cá houve apenas a ameaça do ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (Republicanos), nas eleições de 2022, contida pela Justiça Eleitoral com a impugnação da sua candidatura, e do senador Rogério Carvalho (PT) no mesmo pleito.
Belivaldo deixou Mitidieri falando sozinho para apoiar exatamente a candidatura de Valmir, que convidou a sua filha Priscila Felizola para ser candidata a vice-governadora. Ela já ingressou no Republicanos e está licenciada da superintendência estadual do Sebrae.
Em 2022, a justiça cassou a candidatura de Valmir por ter sido condenado em primeira instância por supostas irregularidades em sua gestão anterior como prefeito. Em 2024, a mesma justiça permitiu a sua candidatura a prefeito, com a justificativa de que o processo não havia transitado em julgado.
Como essa situação ainda persiste e o caso ainda tramita no Tribunal de Justiça do Estado, presume-se que não haveria tempo hábil para impedir a sua candidatura, porque mesmo com uma condenação no TJ, poderia recorrer aos tribunais superiores. Aliás, em decisão proferida em 30 de janeiro de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu efeito suspensivo à condenação por improbidade administrativa de Valmir. Ele havia perdido os direitos políticos, após a Justiça rejeitar acordo dele com o Ministério Público Estadual. A medida, assinada pelo ministro Luis Felipe Salomão durante o regime de plantão, afastou temporariamente a suspensão de seus direitos políticos.
E qual a razão de Francisquinho assustar tanto a Fábio Mitidieri quanto aos seus aliados? Logo depois da realização do primeiro turno em 2022, a justiça eleitoral informou que o ex-prefeito de Itabaiana obteve 457.922 votos, o equivalente a 37,6% e estaria no segundo turno ao lado de Rogério Carvalho, que nessa situação possuiria 27,8%. Fábio Mitidieri, por sua vez, ficaria com 24,2% e estaria fora do segundo turno.
Foi aí que o então governador Belivaldo Chagas colocou a máquina para funcionar em favor do seu candidato. No pequeno período do primeiro para o segundo turno, Belivaldo concedeu auxílios a população carente, mobilizou servidores públicos, empresários, espalhou canteiros de obras por todo o estado e conseguiu uma virada improvável: Mitidieri foi eleito governador do estado de Sergipe, com 623.581 votos (51,70% dos votos válidos), enquanto Rogério Carvalho, recebeu 582.940 (48,30% dos votos).
Esta semana, ao confirmar o rompimento com Fábio Mitidieri, Belivaldo explicou: “Há momentos na vida em que os filhos acompanham a gente. E eu entendi que agora é o momento de acompanhá-la”, disse Chagas durante entrevista à rádio FAN/FM, na quarta-feira.
Belivaldo afirmou que a possibilidade de a filha ir para a oposição não era novidade para o governador. Segundo ele, Priscila informou a Mitidieri que estava sendo sondada pelo grupo adversário: “Governador, eu tô sendo provocada sobre essa questão de candidata à vice. Como devo proceder?”, perguntou ela, para receber a seguinte resposta do líder pedessista: “Jogue seu jogo, tá tudo bem, toca a barco para frente”.
O ex-governador revelou, ainda, que a decisão final de Priscila foi construída com a família. A superintendente do Sebrae disse ao pai que queria participar do processo eleitoral: “Como não tem espaço mais no governo, a oposição tá conversando comigo”, afirmou Priscila.
A resposta de Belivaldo: “Bora, vamos seguir esse caminho”, fato que culminou com a filiação dela ao Republicanos, partido comandado em Sergipe pela prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, e que apoia a pré-candidatura de Valmir de Francisquinho ao governo de Sergipe.
Mitidieri anunciou a chapa que pretende disputar o governo em seis de dezembro de 2025, tendo o deputado Jeferson Andrade (PSD) como pré-candidato a vice-governador, o ex-deputado André Moura (União) e Alessandro Vieira (MDB) como candidatos ao senado. Vieira acabou sendo excluído em função dos ataques a André.
Ao anunciar uma chapa com tanta antecedência, Mitidieri pensou que chegaria sozinho ao pleito, ampliando o leque de aliados. Não só perdeu o seu maior cabo eleitoral como deverá ter pela frente o interiorano Valmir de Francisquinho.
A eleição poderá se transformar num grande pesadelo para Fábio Mitidieri.
Pintura sobre tela do artista Félix Mendes

Cadê a água, governador?

A falta de água nas torneiras está levando o governador Fábio Mitidieri ao desespero. A população o responsabiliza pelo problema em função da concessão parcial da Deso para a Iguá Sergipe, com a promessa de solução mágica para a crise.
Na segunda-feira, Mitidieri anunciou que passará a realizar reuniões quinzenais com a Iguá Sergipe e a Deso para monitorar obras, cobrar prazos e exigir melhorias no abastecimento de água no estado. A medida foi definida após reunião com representantes das empresas, além de órgãos estaduais de gestão e fiscalização. Isso deveria ter sido feito desde que a empresa assumiu os serviços.
Mitidieri disse que a cobrança por resultados é uma resposta direta às solicitações da população. “O que a população quer é resposta imediata e ações concretas que garantam o abastecimento de água e o serviço de esgotamento”, declarou.
Além das reuniões a cada 15 dias, o governo pretende ampliar o acompanhamento das ações, intensificando a fiscalização e a transparência. Também está prevista a apresentação pública, por parte da concessionária, de informações detalhadas sobre obras, investimentos e cronogramas.
Nesses oito meses que administra o sistema, a Iguá conseguiu uma unanimidade: seus serviços são piores do que os oferecidos pela Deso. Se antes as reclamações sobre a falta de água vinham de municípios da região semiárida, hoje vêm de todo o estado, inclusive de Aracaju.
O maior responsável pela crise no abastecimento de água é o governador Fábio Mitidieri quando decidiu privatizar um serviço essencial, contrariando o seu próprio discurso. Em dezembro de 2019 durante a votação do projeto do marco legal do saneamento básico, Mitidieri, então deputado federal, foi contrário à proposta, por entender que a lei poderia provocar a venda das empresas estaduais de água e esgoto.
A população tem todo o direito de cobrar e responsabilizar o governador pela crise hídrica que enfrenta.

Celeridade

O Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJSE) alcançou um importante reconhecimento no cenário nacional ao registrar o maior índice de julgamento de medidas protetivas de urgência em até 24 horas. De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça, o Judiciário sergipano atingiu a marca de 82% dos pedidos analisados dentro desse prazo, liderando o ranking entre as unidades da federação.

O cassino de Mitidieri

O deputado estadual Georgeo Passos (Republicanos) lamentou que o Governo do Estado incentive através da Lotese o vício em jogos de cassino online. O parlamentar relatou que várias famílias sergipanas perderam bens, sem contar o endividamento causado por vício nas apostas da Lotese, a loteria oficial do estado.
“Foi liberado mais uma vez pela Lotese o cassino online. Muitas pessoas estão perdendo muito da sua renda, vemos muitas famílias destroçadas, acabadas em virtude do vício do jogo. E o Governo do Estado ao invés de fazer o contrário (não estimular a jogatina) agora volta atrás e libera esse tipo de jogo”, disse Georgeo.
O deputado lembrou que após repercussão causada no estado em 2025, o governador determinou a retirada dos cassinos online. “Não entendi por que voltou atrás nessa situação. Esperamos bom senso. Entendo que a Lotese deve ter sido pressionada pelos sócios porque querem cada vez mais lucro. E lucro tirando das pessoas que pouco tem. É lamentável essa postura do Governo do Estado em incentivar esses jogos”, comentou Georgeo.

Multa milionária

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) multou a Petrobras em R$ 155,7 milhões pelo abandono irregular de 98 poços terrestres no campo de Carmópolis, interior de Sergipe. A ANP afirma que a petrolífera não cumpriu as etapas necessárias para evitar riscos ambientais nos poços, desrespeitando regras de segurança e regulamentação.
O Polo de Carmópolis foi comprado, em 2022, pela empresa espanhola Carmo Energy por US$ 1,1 bilhão (R$ 5,5 bilhões).

Remoções forçadas

O Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública do Estado de Sergipe (DPE/SE) e o Ministério Público do Estado de Sergipe (MPSE) entraram com uma ação civil pública, com pedido de urgência, contra o município de Aracaju, a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), o estado de Sergipe e a União. A medida visa interromper imediatamente as remoções compulsórias de pessoas em situação de rua na capital e o recolhimento forçado de seus pertences, práticas caracterizadas como ‘higienização social’ e que violam a dignidade humana.
A ação aponta diversos episódios de violência institucional, com destaque para uma operação realizada em 5 de fevereiro, na Praça Fausto Cardoso, no centro da capital. Na ocasião, equipes da Secretaria Municipal da Assistência Social (Semfas), da Emsurb e da Guarda Municipal abordaram abruptamente pessoas que se abrigavam sob a marquise do Edifício Walter Franco. Sem qualquer aviso prévio, pertences como colchões, alimentos e roupas foram descartados em caminhões de lixo.
Além de buscar o fim imediato desse tipo de violência, a ação tem como objeto central garantir que a União, o estado de Sergipe e o município de Aracaju implementem políticas públicas que assegurem o direito à moradia dessa população.

Projeto

Do deputado federal João Daniel (PT) nas redes: “Ao lado do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, e de outros parlamentares, protocolei um novo Projeto de Lei para defender a soberania nacional sobre nossos minerais críticos e estratégicos. A proposta fortalece o controle público sobre essas riquezas – essenciais para a transição energética, o desenvolvimento tecnológico, a indústria nacional e a segurança do país. Queremos agregar valor em território brasileiro, estimular o beneficiamento local e garantir a participação ativa do Estado no destino dessas reservas.”
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