A superintendência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu) continua sofrendo com o amplo número de trotes que são feitos a cada hora junto à central de atendimento. Segundo estatísticas apresentados na manhã de ontem pelo serviço de saúde, a cada dez ligações feitas por sergipanos, quatro são falsas. A porcentagem de 40% além de atrapalhar e prejudicar o funcionamento tático das equipes de socorro, também contribui para que vítimas reais não sejam atendidas com tanta eficiência como desejam os pacientes. Só nos quatro primeiros meses deste ano, mais de 60 mil ligações foram identificadas como trote. A fim de sensibilizar a população e conter o alto volume dos trotes, uma campanha intitulada: ‘Sou Amigo do Samu – Não Passo Trote’ está sendo realizada em redes sociais.
A expectativa por parte da Secretaria de Estado da Saúde é que, já em poucos dias, especialistas responsáveis por conduzir este projeto leve o conteúdo da campanha para dentro das escolas públicas e particulares. A meta da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) é intensificar a luta educacional junto às crianças e adolescentes que também realizam este tipo de crime. Durante o último feriado prolongado foram registradas 2.197 chamadas para assistência pré-hospitalar, das quais 488 eram falsas. Análises técnicas realizadas nos últimos meses mostram que esse percentual está relacionado a pessoas em fase adulta, que emitem trotes no intervalo entre às 0h e 6h, todos os dias. Além dos trotes, os atendentes também acabam sendo agredidos verbalmente.
"Nesse momento da madrugada, os profissionais da Central de Regulação do Samu estão muito mais propensos a receber palavras de baixo calão. Já no período entre 12h e 18h, esse percentual reduz para 45% do total das chamadas, sendo a grande maioria desses trotes enviados por crianças e adolescentes", informou a superintendente do Samu Conceição Mendonça.
A ação educativa nas escolas deve contribuir para que estas ligações falsas feitas por menores apresente redução em curto prazo. No primeiro quadrimestre de 2014 o número de trotes destinados ao Serviço chegou a 54 mil ligações. Já no mesmo período deste ano, esse número passou para 65 mil. Preocupada com a situação, a gestora lamenta os prejuízos financeiros que são causados com os trotes.
Estudos financeiros do estado esclarecem que para a saída de uma Unidade de Suporte Avançado (USA ou UTI móvel) do Samu, o custo gira em torno de R$ 5.100 devido à sua estrutura especializada a ser necessária em casos considerados graves. Já o custo médio de saída de uma Unidade de Suporte Básico (USB) é de R$ 980. Ainda de acordo com Conceição, é fundamental que as pessoas passem a conscientizar quanto à importância de apenas acionar o Samu quando situações reais forem identificadas. "A emissão de trotes ao Samu acarreta diversos males, entre eles, a possível chegada tardia da equipe assistencial na cena ou a desassistência dos pacientes que estiverem necessitando, realmente, de atendimento pré-hospitalar de urgência. Os trotes também acabam desgastando o trabalho dos nossos profissionais", pontuou.
Processo – Conforme apresentado pelo Art. 158 do Código Penal Brasileiro, qualquer cidadão que for flagrado realizando este tipo de conduta irregular pode ser passível de enquadramento em crime de extorsão e está sujeito à penalidade de reclusão de quatro a dez anos, com pena agravada de um terço à metade pela participação em organização criminosa. Apesar de existir esta rigorosidade penal, a maioria dos crimes são sequer denunciados e nem mesmo os seus aparelhos telefônicos são bloqueados. Até o momento no Estado de Sergipe não foi identificado nenhum cidadão processado, ou detido, por passar trotes para a central de atendimento do Samu.


