Atrair cada vez mais aqueles que atuam na informalidade para regularizar seus negócios é o objetivo do Sebrae Sergipe. Neste sentido, a instituição já realizou em Tobias Barreto um mutirão do Empreendedor Individual e pretende realizar evento idêntico em vários outros municípios. Nesta entrevista, o superintendente regional do Sebrae, Lauro Vasconcelos, também fala sobre o sucesso da recente Rodada de Negócios realizada em Carmópolis.
JORNAL DO DIA – Por que o Sebrae resolveu realizar o mutirão do Empreendedor Individual (EI) no interior do estado?
LAURO VASCONCELOS – Uma das metas do Sebrae é oferecer as condições necessárias para que todos aqueles que atuam na economia informal possam regularizar o seu negócio. Assim, estamos buscando ampliar as nossas ações em diversas cidades do interior sergipano para atingir esse público. Na semana passada, promovemos um mutirão em Tobias Barreto, e já temos outros programados em Itabaiana, Simão Dias, Lagarto e Estância. Além disso, realizamos no início do mês uma outra ação em Carmópolis.
JD – Sergipe possui atualmente quantos Empreendedores Individuais?
LV – Sergipe possui cerca de 19,8 mil Empreendedores Individuais. A principal vantagem do programa é que, mediante o pagamento de uma taxa mensal de no máximo R$ 37,10, o trabalhador passa a contar com auxílio doença, salário maternidade, aposentadoria e pensão por morte. Outros benefícios importantes são o direito ao CNPJ, o de emitir notas fiscais, vender para o governo, além de ter acesso facilitado aos serviços bancários e linhas de crédito. Atualmente, mais de 470 atividades podem ser enquadradas como EI.
JD – Quais as atividades mais comuns de atuação dos Empreendedores Individuais?
LV – Um estudo feito pelo Sebrae este ano sobre o Empreendedor Individual mostrou que temos hoje uma forte presença de cabeleireiros, vendedores de roupas, donos de lanchonetes, bares e mercearia, além de pessoas que trabalham na reparação de computadores. Há também que destacar os profissionais que trabalham na área de estética e os marceneiros.
JD – O Sebrae realizou este mês em Carmópolis uma Rodada de Negócios. O resultado foi positivo?
LV – Ficamos muito felizes com os resultados alcançados no evento. Oito empresas âncoras, fornecedoras de bens e serviços à Petrobras apresentaram suas demandas para 35 micro e pequenas empresas ofertantes de diversos segmentos. Com isso, conseguimos promover mais de 200 reuniões de negócios entre esse público que com certeza irão se transformar em contratos comerciais. No final do ano, será promovida a Rodada de Negócios da Cadeia de Petróleo, Gás e Mineração em Aracaju, uma ação da Rede Petrogás/SE em parceria com o Sebrae e a Petrobras.
JD – O Sebrae considera positivo o resultado das ações desenvolvidas em Sergipe no primeiro semestre?
LV – Nos primeiros seis meses deste ano, conseguimos oferecer uma série de iniciativas ao micro e pequenos empreendedores sergipanos. Além do trabalho de formalização, oferecemos mais de 22 mil horas de consultorias às empresas, quase cinco mil orientações técnicas, atendemos mais de três mil empresas e cerca de cinco mil potenciais empresários. Estamos muito satisfeitos com esses resultados, mas o nosso objetivo é expandir esses números agora no segundo semestre.
JD – Os empresários sergipanos, particularmente os micros e pequenos, costumam recorrer ao Sebrae para solicitar orientações técnica antes de iniciar um novo negócio?
LV- Qualquer pessoa que deseja abrir um empresa, possuindo ou não uma ideia de negócio, deve procurar o Sebrae. Nossos técnicos estão capacitados para oferecer uma série de informações e capacitações voltadas ao desenvolvimento dos empreendedores. É importante ressaltar que, na grande maioria, nossas ações são gratuitas. Em alguns casos, é necessária uma contrapartida. Nossos serviços são disponibilizados na sede, em Aracaju, e nos escritórios regionais de Lagarto, Estância, Itabaiana, Nossa Senhora da Glória e Propriá, que atendem todo o estado.
JD – O Sebrae participou de uma reunião que discutiu estratégias para que as micro e pequenas empresas se beneficiem do projeto Carnalita, a ser implementado em Sergipe pela Companhia Vale. O que ficou acertado nesta reunião?
LV – Uma das propostas discutidas no encontro foi a criação de um programa de qualificação de fornecedores locais para atender a empresa de mineração. A ideia é seguir o modelo adotado pelo Sebrae e Petrobras há seis anos no estado, que tem permitido que cada vez mais empresas sergipanas atuem na oferta de bens e serviços à companhia petrolífera. A primeira ação a ser adotada pelas entidades é a realização de um seminário, em novembro deste ano, para a apresentação do Carnalita, as oportunidades de negócios proporcionadas pelo projeto e o programa de qualificação de fornecedores aos empresários sergipanos. O evento será promovido durante a Feira da Indústria e Inovação Tecnológica (Fitec). Além do programa de capacitações, também estão previstas a realização de rodadas de negócios entre as empresas.
JD – Quais os principais Arranjos Produtivos Locais (APL) que recebem apoio e orientação técnica do Sebrae Sergipe?
LV – Hoje o Sebrae apoia os APLs de ovinocaprinocultura, mandiocultura e tecnologia da informação. Também desenvolvemos ações nas áreas de piscicultura, artesanato, petróleo e gás e leite e derivados.


