Seca se alastra para todos os municípios sergipanos

Monique Oliveira
moniqueoliveira@jornaldodiase.com.br

Os problemas com a seca em Sergipe aumentam a cada dia. Agora já são 29 cidades em situação de emergência e outras já estão dando entrada na documentação junto ao Departamento Estadual de Proteção e Defesa Civil de Sergipe (Depec) para poder contar com a ajuda do Governo do Estado. Entre elas está a cidade de Itabaiana, que além do déficit municipal, excesso de lixo nas ruas, transporte escolar deficitário e insuficiência no quadro de servidores para execução de serviços prioritários motivou o atual prefeito Valdir dos Santos Costa (PR) a tomar mais essa providência diante da situação caótica que se encontra a cidade.

Segundo informações do Depec, apesar de os números de cidades solicitando decreto de emergência estarem aumentando, as ações de combate à seca também estão sendo incrementadas.
Com a finalidade de ajudar aos 29 municípios, o Governo do Estado aumentou em 60% o atendimento à população atingida pela seca. Além disso, foi anunciado pelo gestor o montante de R$ 9 milhões para ser investido em programas de mecanização agrícola, distribuição de sementes e limpeza de pequenas barragens e aguadas para beneficiar a população da área rural e atenuar os efeitos da longa estiagem que atinge o território sergipano.

Vinte e quatro municípios tiveram o estado de emergência decretado oficialmente. São elas: Poço Redondo, Poço Verde, Porto da Folha, Tobias Barreto, Nossa Senhora da Glória, Canindé de São Francisco, Gararu, Itabi, Nossa Senhora Aparecida, Pedra Mole, Graccho Cardoso, São Miguel do Aleixo, Carira, Pinhão, Monte Alegre, Tomar do Geru, Nossa Senhora de Lourdes, Frei Paulo, Macambira, Feira Nova, Riachão do Dantas, Nossa Senhora das Dores, Lagarto e Simão Dias.

Desacreditado – Apesar dos anúncios de investimento, Gilvan Alves de Melo, presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais da Barra da Onça, em Poço Redondo, distante 170 quilômetros da capital sergipana, diz não acreditar. De acordo com o trabalhador, já são três anos sem inverno e sem conseguir lucro com a safra do milho, do feijão e da mandioca.

Ele disse ainda que onde os sertanejos deveriam comprar o milho da Conab por R$ 18,12 tem que comprar a R$ 55 ao atravessador ou no comércio local. "Se o produtor tiver como, tem que comprar ao atravessador ou no comércio. Isso é vergonhoso e há muito tempo venho denunciando a falta de compromisso do gestor com o pequeno produtor, o Governo liberou R$ 6 milhões para a compra de ração para os animais e até agora nada. Para completar, um técnico da Emdagro passou 40 dias fazendo um levantamento sem fundamento, pois diz que os municípios atingidos pela seca têm rolão de milho e palma forrageira, e isso não é verdade porque até o xique-xique, única fonte de renda, está se acabando no Sertão", relatou.

Cestas de alimentos – O presidente da associação voltou a afirmar que as cestas de alimentos e a água distribuída pelo Exército e Defesa Civil não estão sendo suficientes para atender as necessidades dos sertanejos. "Só em Poço Redondo temos mais de oito mil famílias passando fome e sede. Essas 3600 cestas não são suficientes nem para amenizar o sofrimento dos sertanejos", afirmou o trabalhador.

Gilvan Alves relatou que essa é a pior seca dos últimos tempos, onde as pessoas de Poço Redondo e de assentamentos como Barra da Onça, Queimada Grande, Rancho Velho, Risada, Monte Alegre Velho, Novo Paraíso, Areias e todos que ficam às margens do rio São Francisco estão sobrevivendo em situações desumanas.

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