Sergipe não vai forçar o internamento de drogados

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Diferente de São Paulo, Sergipe não interna compulsoriamente seus dependentes químicos. Aqui, o trabalho é articulado entre as secretárias de Estado da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social (Seids), que possui o Plano de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, e Secretaria de Estado da Saúde, junto aos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e as unidades de acolhimento.

Na Seids, o Plano existe desde 2009, com o objetivo de intensificar o combate por meio de ações distribuídas em três eixos estratégicos: Prevenção e mobilização social; Cuidado e atenção ao usuário e sua família e Repressão.

Em São Paulo, o governo decidiu internar compulsoriamente os dependentes químicos. A medida faz parte de uma ação integrada do governo com o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Caso o paciente recuse o auxílio, um juiz poderá determinar a internação compulsória depois de a equipe médica atestar que o usuário perdeu o domínio sobre sua saúde e condição física. O governo estadual informa que a internação involuntária será aplicada em conjunto com a família.

De acordo com a coordenadora de Atenção Psicossocial da Secretaria da Saúde de Sergipe, Sony Petris, o trabalho articulado visa acolher o dependente químico. "O Serviço de Atenção Psicossocial tem o objetivo de acolher e entender as necessidades do dependente. Para o tratamento do usuário que deseja se livrar do vício, a porta principal de acesso é a atenção primária de saúde. A partir daí, o usuário é avaliado, acolhido e é verificado o estágio do seu vício. Então, ele é inserido nas ações programáticas da atenção primária e novamente avaliado", explicou.

No acolhimento entram os projetos terapêuticos, que são realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). "Estudos comprovam que a internação compulsória não ajuda. Precisamos oferecer atendimento no sentido de que o usuário passe a se cuidar, a se perceber e desejar melhorar".

Os Caps oferecem um atendimento que é composto de equipe multidisciplinar, formada por psicólogos, educadores físicos, terapeutas, entre outros especialistas. Em Sergipe há 36 Caps e duas unidades de acolhimento, uma em Lagarto e outra em Itabaiana. Essas unidades são reguladas pelos Caps. Em Aracaju há o programa de Redução de Danos, que também atende os dependentes químicos.

Sony Petris informou que o Caps – Álcool e Drogas atendeu em setembro 5.450 pessoas. Sergipe possui atualmente 110 leitos psiquiátricos em hospitais gerais para internação, sendo 16 no Hospital São José, 16 no Hospital Cirurgia e 80 na Casa de Saúde Santa Maria. Em breve, a SES firmará parceria com o Hospital Psiquiátrico São Marcelo. O Cirurgia possui um complexo para usuário de álcool e drogas par desintoxicação.

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