Sindicatos vão à justiça por alimentação

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Representações sindicais planejam acionar a Justiça contra o governo caso não seja tomada providência para regularizar o fornecimento de alimentos no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) e nas unidades regionais gerenciadas pela Fundação Hospitalar de Saúde (FHS).

Desde quarta-feira, 31, os técnicos que atuam no Huse e nos Hospitais Regionais do Estado estão sem alimentação por conta de dívidas do governo com empresas terceirizadas, Dall e Nutrisabor, que suspenderam o contrato firmado com a FHS alegando atraso de pagamento. A dívida chega a aproximadamente R$ 10 milhões e 1,6 milhão, respectivamente.

"Vamos aguardar o posicionamento do governo sobre esta situação e a partir daí pensarmos numa ação conjunta, solicitando mais uma vez a intervenção da Justiça para garantir direitos destes trabalhadores e dos pacientes. É inadmissível o tratamento que vem sendo dado a quem trabalha e a quem precisa do serviço", diz a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), Maria das Graças.

Ela destaca que os sindicatos estão mobilizados contra a falta de condições e as demissões coletivas geradas por problemas gerenciais da Secretaria de Estado da Saúde.  Por enquanto, somente os pacientes estão com o serviço garantido até o dia 4 de novembro, data em que vence o aviso prévio dos 211 funcionários da Dall e 86 da Nutrisabor.

As dívidas da FHS com as duas empresas já duram 8 meses. Até o dia 10 de novembro, a rescisão dos 86 funcionários deverá ser paga, mas se isso não acontecer, os sindicatos pretendem entrar na Justiça para bloquear as contas da fundação e da empresa Nutrisabor.
O governo admitiu a suspensão de alimentação para o quadro funcional por falta de pagamento, mas negou a suspensão no fornecimento. Segundo a FHS, a empresa Nutrisabor pediu distrato por não ter sido contemplada em um pedido de realinhamento de preço no prazo desejado.

Já a Dall não notificou a FHS objetivando cancelamento de contrato. A fundação esclareceu ainda que não haverá desassistência ou descontinuidade na prestação do serviço. A dívida da FHS com a empresa Nutrisabor Assessoria e Alimentos levou o procurador-geral do Ministério Público de Contas, José Sérgio Monte Alegre, a propor ao colegiado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) a realização de uma inspeção extraordinária.

Além de alimentação, a fundação também enfrenta falta de medicamentos e materiais. Além do Huse, o Sintasa revela que o problema atinge também todos os hospitais regionais do Estado.

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