Com a chegada do período de férias escolares, as professoras e professores se dedicam em finalizar suas turmas e lançar as notas finais. Uma ação que tinha a premissa de ser ‘simples’, acabou se tornando um dos piores pesadelos do Magistério Público de Aracaju. Isso porque o sistema de diário escolar eletrônico, adotado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), opera com um acúmulo de falhas de operação.
Tal problemática tem estado presente no cotidiano dos docentes há mais de dois anos, quando o programa de Gestão Inteligente da Educação Responsável (Gier) foi implementado na premissa de conectar a rede municipal de ensino a um sistema digital funcional. O que deveria atuar como um agente facilitador de conectividade, tem atuado no sentido oposto. Desde o início da sua operação, em meados de 2020, o programa resulta em um saldo de problemas de operação.
Segundo reclamações, o diário escolar funciona com constantes bugs; dificuldade no carregamento de páginas; apagão de dados etc. O professor e gestor escolar, Flávio Vinícius, relata alguns dos problemas de funcionamento. ”Nomes de alunos que somem e reaparecem das listas virtuais de classe, parecendo ter vontade própria. Simples declarações, boletins, entre outros documentos com inconsistência de dados, mesmo todos os dados estando corretamente cadastrados. Matrículas que somem, pesquisas que nunca acham os estudantes procurados, e que estão devidamente matriculados. Enfim, nada que seja originado pelo sistema pode ser assinado sem releitura. Com isso, até hoje não há uma só pessoa que confie nos dados que saem do complexo e inconsistente Gier, destaca o professor.
O Sindipema recebe diariamente inúmeras denúncias sobre o funcionamento do Gier. Professores e professoras tecem diversas reclamações à plataforma; alegam lentidão para acessar o programa; dificuldade no carregamento das páginas; dados que somem após o registro. De forma unânime, a categoria está convencida que o sistema é extremamente obsoleto.
A professora Cátia Oliveira é uma das docentes que enfrentam os problemas que assolam o Gier. Educadora do Atendimento Educacional Especializado (AEE), ela aponta a exaustão em ter que trabalhar com uma ferramenta tão ”irregular”. ”Para acessar o sistema, preciso de internet e na sala onde trabalho não tem. Dos estudantes que são atendidos, só foi possível até o momento incluir 5 no sistema. Desses 5, apenas consigo preencher as informações sobre 3 estudantes”, destaca a professora.
Além disso, a educadora salienta que um número de contato para sanar dúvidas sobre o sistema é repassado para os docentes. Entretanto, segundo denúncias, mesmo após entrar em contato, os problemas não são resolvidos completamente.
Apesar dos problemas citados, a Semed ainda permanece com o uso obrigatório do Gier, através da portaria nº414/2021/GS, para registrar atividades escolares.
Sistema “Gier” opera com falhas e’apagões de dados na rede municipal

