Nos próximos 12 dias policiais civis e militares de Sergipe, Paraíba e Pernambuco serão capacitados no mais moderno curso de Inteligência Financeira da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça. O objetivo é qualificar 30 policiais de Sergipe, sete delegados e três coronéis de outros Estados, a utilizarem as mais modernas técnicas de enfrentamento aos crimes de lavagem de dinheiro.
A ideia é aliar técnicas de investigação, tecnologia de ponta e busca da informação qualificada nos órgãos de controle, notadamente, a Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria Geral da União (CGU), entre outros.
De acordo com o diretor da Acadepol, delegado Abelardo Inácio, os policiais assistirão aulas com representantes de instituições nacionais e terão a oportunidade de ampliar os conhecimentos a fim de obter condições de combater os crimes contra à administração pública. O diretor da Coordenadoria Geral de Inteligência do Ministério da Justiça, André Fagundes Mendes, destacou a importância do curso e ressaltou que Sergipe é o segundo Estado do Nordeste a receber um laboratório de combate à lavagem de dinheiro. "Este laboratório estará pronto para funcionar em março de 2014 e deixará Sergipe dotado de modernos equipamentos essenciais que serão utilizados no enfrentamento às organizações criminosas", explicou Fagundes. "É isso que vai melhorar a segurança pública do país. Rio de Janeiro e São Paulo hoje enfrentam o crime organizado com mais força. Não basta prender os criminosos é preciso quebrar seu braço financeiro", completou.
Segundo a diretora do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), Danielle Garcia, a partir da instalação do laboratório ficará mais fácil para a Polícia Civil combater a lavagem de dinheiro no Estado. Ela cita exemplos das operações ‘Castelo de Cartas’, que desarticulou uma rede criminosa que fraudava licitações em cidades do interior, ‘João de Barro’ e ‘Valquíria’, que duraram meses de investigações e que poderia ser bastante reduzida com o auxílio da tecnologia.
"O laboratório terá um investimento em torno de R$ 2 milhões e consiste em um espaço físico dotado de um conjunto de hardwares e softwares habilitados a realizar o cruzamento de dados financeiros de um suspeito, com autorização da Justiça, a fim de verificar a origem daqueles recursos e sua efetiva aplicação na economia" explicou Danielle.
O secretário-adjunto da SSP, João Batista Santos Júnior, enalteceu a criação do Deotap na gestão do secretário João Eloy. Para Batista o maior problema do Brasil na atualidade é grande soma de dinheiro nas mãos de organizações criminosas. "É preciso apertar o cerco contra esses criminosos. Não basta apenas prendê-los é preciso quebrar o aporte financeiro dessas quadrilhas e apreender dinheiro e o patrimônio adquiridos ilicitamente", disse.
Batista lembrou da recente "Operação Valquíria", deflagrada pela Polícia Civil nos estados de Sergipe, Pernambuco, Bahia e São Paulo. A operação prendeu 17 pessoas e apreendeu milhões de reais em dinheiro e em patrimônio que foram adquiridos com dinheiro do tráfico e do roubo. "Todo esse patrimônio foi colocado à disposição da Justiça de Sergipe, que decidirá o que deverá ser feito".
A superintendente da Polícia Civil informou que no ano de 2009 a Polícia Civil deflagrou uma operação para desarticular um esquema de sonegação de impostos por parte de construtoras do Estado. "Mesmo sem as modernas técnicas de investigação que agora passamos a ter acesso nós já produzíamos um bom resultado. Esperamos que esta qualificação nos ajude a devolver receitas que foram desviadas do erário público", argumentou.

