Taxistas fecham ruas

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Taxistas alternativos que atuam em bairros da zona Sul da capital sergipana voltaram a protestar na manhã de ontem contra uma possível perseguição realizada por agentes da Guarda Municipal de Aracaju (GMA), e da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Reunidos no centro da cidade, o grupo pressionava os vereadores e o prefeito João Alves Filho para que possam dialogar sobre a possibilidade de ampliar o número de taxistas bandeirinhas, ou regularizar os atuais condutores clandestinos. Apesar da luta constante da categoria, as últimas ações da PMA não favorecem este grupo de trabalhadores.

Isso ocorre em virtude de uma Lei, aprovada em novembro de 2015 na Câmara Municipal de Aracaju (CMA), que dispõe sobre a proibição de transporte alternativo de passageiros coletivo ou individual no município. Quanto à perseguição denunciada pelos taxistas, só no ano passado, 624 veículos foram retidos ao pátio do órgão por realizar algum tipo de transporte irregular de passageiros. Neste mesmo período mais de oito mil carros foram fiscalizados em operações de combate à clandestinidade. Essa ação da SMTT tem gerado insatisfação por parte dos manifestantes que prometem novas mobilizações já para os próximos 15 dias.

Para o desempregado Denilson Rodrigues, 29 anos, a falta de emprego atrelada ao precário sistema coletivo de ônibus urbano tem contribuído para que mais aracajuanos busquem trabalhar transportando pessoas. Segundo ele, o valor da passagem reajustada no mês de dezembro também contribui para que o número de passageiros em busca desses serviços impulsione a atividade ainda realizada de forma ilegal. Apesar de ter conhecimento da situação irregular, ele garante que tem buscado a administração municipal junto com outros colegas de profissão na esperança de ser cadastrado e deixe de ser alvo da SMTT.
"Nós temos buscado sim a prefeitura para debater esse pedido, mas o prefeito nunca está disposto a conversar com a gente. A população deve ter conhecimento da nossa luta e aproveitamos para pedir desculpas pelos transtornos, mas o que podemos garantir neste momento é que estamos batalhando para trabalhar de forma digna. Queremos apenas trabalhar. Queremos oportunidade de prestar serviços, mas a prefeitura parece que não está nem aí para a nossa reivindicação", declarou.

Durante mais de uma hora os manifestantes queimaram pneus e interromperam o tráfego de veículos nas intermediações das ruas Capela e Divina Pastora, próximas à Rodoviária Velha.
Segundo esclarecimentos da SMTT, o órgão não é responsável por debater o pleito dos alternativos, essa demanda fica a critério do poder executivo juntamente com os vereadores. Com a mudança aprovada pelos parlamentares municipais, o valor da multa para quem for flagrado atuando de forma irregular aumentou. A punição passou de R$ 300 para R$ 600 e, em caso de reincidência, o valor e o prazo de apreensão são dobrados.

Na avaliação do taxista clandestino Esmeraldo Gomes Filho, buscar os vereadores aracajuanos para debater o assunto é a mesma coisa que ‘dar murro em ponta de faca’. "Eles só votam no que é de interesse do prefeito João. Não adiante nem ir atrás deles porque só quem nos recebe são alguns que entendem a nossa causa e são contrários a essa administração que aí está. Como não tem acordo, muito menos previsão de regularização, as manifestações vão continuar porque como o colega Denilson bem citou, nós poderíamos entrar no mundo errado das drogas, por exemplo, mas somos homens de família e queremos apenas trabalhar dignamente para sustentar a esposa e os nossos filhos", disse.

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