Milton Alves Júnior
A partir de hoje a escala médica dos Postos de Saúde administrados pela Prefeitura de Aracaju devem voltar ao normal. Após três meses e três dias de greve, a categoria decidiu ontem, durante assembleia, suspender o movimento após aceitar receber o salário de dezembro de 2016 em duas parcelas; sendo a primeira, prevista para ser depositada no próximo dia 20 de maio. A mesma proposta destinada aos médicos será aplicada a mais três mil servidores que optaram por não recorrer ao empréstimo bancário como forma de receber o salário atrasado no valor integral. Com o fim da greve, o Sistema Único de Saúde (SUS) da capital sergipana volta a funcionar com 423 médicos.
Para minimizar os efeitos negativos gerados pela greve, a administração municipal decidiu utilizar recursos da primeira parcela do 13º salário, que é pago em um calendário próprio dos servidores, e quitar o déficit financeiro herdado pelo prefeito João Alves Filho. Para conseguir apresentar a proposta, a PMA necessitou alterar o calendário de pagamento do 13º do servidor público. Por exemplo, uma pessoa que receberia no mês de junho a primeira parcela do 13º salário, se aderir a esse acordo, o beneficiário só vai receber dois meses depois do calendário normal.
Segundo cálculos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), diariamente as unidades de atendimento às famílias são responsáveis por atender entre quatro e cinco mil pessoas. Durante este período de instabilidade funcional, 80 médicos terceirizados chegaram a ser contratados por meio de Recibo de Pagamento Autônomo (RPA), a fim de amenizar o sofrimento dos contribuintes. Apesar das manobras administrativas adotadas em caráter de emergência, a situação não foi normalizada e o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) se transformou no principal paradeiro dos pacientes.
De acordo com o presidente sindical, João Augusto Alves de Oliveira, ao longo das últimas três semanas o prefeito Edvaldo Nogueira, acompanhado dos secretários de saúde e finanças, se mostrou mais interessado em solucionar os problemas, apresentar novas contrapropostas e, sobretudo, atender ao apelo feito pelos profissionais que optaram por aderir à greve, bem como, aos pacientes que imploravam por solução imediata.
“Foi um período difícil, quando encontramos por diversas vezes a falta de diálogo e a persistência em a gente ter que engolir o pagamento atrasado em 12 prestações, ou ter que pegar um empréstimo no banco. Chamaram a gente para reunião, fomos esperançosos e no encontro apresentaram as mesmas propostas. A greve seguia forte quando finalmente chegou essa nova proposta”, declarou.
“Nos deparamos com uma proposta que finalmente reestabelece a relação entre gestão e trabalhador. Seguramos o teor da proposta, apresentamos na assembleia, e ela foi aprovada. A partir desta terça-feira, as 7h, podem ter certeza que os postos estarão com a escala médica em completa execução”.


