Testemunhas contra Sukita tinham relação direta com o ex-prefeito de Capela, diz defesa

A denúncia que motivou o pedido de prisão contra o ex-prefeito de Capela, Manoel Messias Sukita Santos, narra que, durante o período eleitoral do pleito de 2012, o gestor municipal à época, distribuiu dinheiro em troca de votos. Segundo a assessoria jurídica, essa ação teria por objetivo favorecer a campanha eleitoral de Josefa Paixão de Santana e Carlos Milton Mendonça Tourinho, candidatos à prefeita e vice-prefeito, respectivamente, os quais, diga-se de passagem, não foram incluídos na peça acusatória por falta de indícios suficientes da participação no suposto delito. Alega também a denúncia que houve a distribuição, sem critério algum, da quantia de R$ 40,00 na própria sede da prefeitura, oportunidade que o então prefeito Sukita, pedia voto em favor para seus candidatos, ao entregar o dinheiro do programa social.

A decisão se baseou na ouvida das quatro testemunhas de acusação. Ao todo foram 12, sendo que oito de defesa. No entanto, fica clara a intenção dos adversários de Sukita em incriminá-lo nessa denúncia, como mostram fragmentos dos depoimentos das testemunhas de acusação. Denilza dos Santos, que reside no povoado Pirunga, confessou que mesmo não tendo vínculo com representantes da usina (propriedade do ex-prefeito Ezequiel Leite, adversário de Sukita), “seu marido fazia bico. Que ele conseguiu emprego na usina do prefeito atual. Que permitiu que na sua casa colocasse painel do atual prefeito (na época do depoimento “chamado de Ezequiel”).

 Depoimento de Maria Hilda dos Santos: “Que reside no povoado Pirunga. Que ele não pediu voto expressamente. Que colocou cartaz de Ezequiel em sua casa. Que veio para o fórum de carona. Que não conhece o rapaz que deu carona. Que foi para beira da pista e pediu carona. Que não conhece as outras pessoas que vieram depor. Que a pessoa deu carona por acaso. Que a outra pessoa que pegou carona foi Denilza”.

Já o depoimento de Cristina da Silva Caetano, que é irmã do secretário de Transporte Joaquim Caetano Pereira Neto, durante o governo Ezequiel, disse que seu marido trabalhava como motorista em uma empresa no ano da eleição. Que no dia do seu depoimento, estava no povoado Pirunga “e um carro da prefeitura passou. Que deu com a mão e pegou carona. Que vieram ainda três pessoas com a depoente no carro. Que um deles também veio para o fórum. Que foi procurada por Rafael (funcionário de Ezequiel). Que ele trabalha no carvão. Que ele pediu os documentos da depoente, mas não explicou para que ele queria. Que seu marido trabalhava na usina, mas agora ele está de aviso. Que Rafael também procurou a irmã da depoente para pedir os documentos, mas também não falou o motivo. Que trabalhava como assistente administrativa na gestão atual. Que não trabalha mais na Prefeitura, pois agora só presta serviço. Que não colocou cartaz em sua porta. Que quem colocou foi sua mãe, pois a casa era dela. Que o cartaz era do Prefeito Ezequiel. Que não lembra quando Rafael procurou a depoente. Que tem muito tempo. Que recentemente ele não procurou a depoente.”

Há ainda depoimento de Vanuzia da Silva Caetano, outra irmã do secretário Joaquim Caetano, e que seu ex-esposo trabalhava como mecânico na usina. “Que veio para o Fórum no carro da Prefeitura. Que não vem para cidade no carro da Prefeitura porque trabalha. Que hoje veio depor e pegou carona no carro da Prefeitura. Que o motorista perguntou aonde a depoente queria ir, e o motorista a deixou aqui no Fórum. Que Rafael a procurou para pegar seu nome, mas não explicou para quê. Que faz um ano que se separou. Que quando foi fazer o cadastro no bolsa família, teve uma assistente social em sua casa. Que é irmã da Senhora Cristina. Que Rafael não passou nenhuma orientação para a depoente. Que ele só passou lá, pegou a identidade e o nome. Que Rafael passou em sua residência em 2012, mas não sabe precisar o dia. Que ele não disse o porquê estava querendo a documentação. Que ele não falou nada. Que seu irmão colocou um cartaz de política na porta da casa. Que a casa não era da depoente. Que o candidato dele era o prefeito atual. Que ele só falou que era para ser testemunha.”

Percebe-se nos depoimentos acima, que as testemunhas possuem forte ligação com o ex-prefeito Ezequiel Leite (dono de uma usina de cana), seja de trabalho ou até mesmo familiar com pessoas que já trabalharam na usina ou na prefeitura na gestão do agora ex-prefeito. Vale também pinçar trechos das testemunhas de defesa, que apontam uma outra versão para os fatos.

Quatro testemunhas de defesa apontam outra versão para o “suposto” crime eleitoral. Depoimento de Maria José Vieira dos Santos: “Que Sukita não pediu voto para Josefa ou para votar no 40.” Depoimento de André dos Santos: “Que não houve pedido para votar em candidato. Que não houve pedido para votar no 40.” Depoimento de Roberta Santos da Silva: “Que não falaram nada quando fizeram a entrega do dinheiro. Que na época já havia atos de campanha eleitoral na rua. Que o povo saía dizendo vai ser 40 de novo. Que ele não pediu voto.” Depoimento de José Ricardo Oliveira Santos: “Que o Prefeito não pediu voto ao depoente. Que não o viu pedindo voto.”

Diante dos fatos e das contradições existentes nos depoimentos de acusação, os advogados de Sukita preparam a defesa, que deve ser apresentada até a próxima terça-feira, 2 de maio. 

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