Um mandado de busca e apreensão foi cumprido ontem de manhã na casa do ex-senador José Almeida Lima, atual secretário estadual de Saúde. A residência fica no bairro Farolândia (zona sul de Aracaju). Quatro agentes da Polícia Federal, acompanhados pela procuradora Lívia Nascimento Tinoco, do Ministério Público Federal (MPF), estiveram por cerca de três horas no local, em cumprimento à ordem expedida pelo ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). O secretário estava em casa e acompanhou todas as ações de busca.
Os policiais federais e a procuradora deixaram o local sem falar com os jornalistas, alegando que a questão está em segredo de justiça. No entanto, o próprio Almeida recebeu os jornalistas na sala de casa, revelou o conteúdo do mandado de busca e confirmou que foram apreendidos um computador, HD externo, um HD com gravações de programas eleitorais, um telefone celular, CDs e DVDs. O mandado de busca também requisitou a apreensão de documentos, bens de luxo, outros equipamentos eletrônicos e quantias em dinheiro acima de R$ 50 mil. Estes itens não foram encontrados e nem houve apreensão de dinheiro, pois, conforme o secretário, havia na casa apenas R$ 9 mil e poucas notas de euro.
A ação de busca da PF na casa de Almeida faz parte da ‘Operação Satélites 2’, deflagrada para cumprir um total de 10 mandados de busca e apreensão expedidos por Fachin. Além de Aracaju, as buscas aconteceram em Maceió (AL), Natal (RN), Brasília (DF) e São Paulo (SP). O objetivo, de acordo com a PF, é coletar provas de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, entre outros, em investigações relacionadas ao esquema de desvio de recursos descoberto na Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras.
Esta investigação é um desdobramento da ‘Operação Lava-Jato’, que envolve pessoas diretamente ligadas ao senador Renan Calheiros (PMDB), amigo pessoal de Almeida, e se baseou na delação premiada do ex-presidente da empresa, Sérgio Machado. O principal alvo das buscas foi o advogado de Renan, Bruno Mendes, cujo escritório em Brasília também teve documentos e computadores apreendidos. Ainda não está claro como o nome do ex-senador sergipano apareceu nas investigações, apesar de sua conhecida proximidade com Calheiros, desde a época em que foram colegas no Senado Federal.
“Eu não sei por que o mandado está aqui, falando que é sigiloso. Confesso estranheza e ao mesmo tempo não, porque isto é como hoje é ao homem público, sobretudo alguém que passou 12 anos pelo Congresso Nacional, nas circunstâncias em que vive o país hoje”, disse o secretário aos jornalistas, frisando que não foi denunciado ou investigado em nenhuma operação policial ou judicial. “Não vou me defender de nada. Esse é um procedimento cautelar inicial de busca de provas. Não tenho que produzir nenhuma prova e muito menos defesa. Tenho certeza de que receberei mais um atestado de idoneidade e que minha biografia não sofrerá nenhuma mácula”, completou Almeida.
A primeira fase da ‘Operação Satélites’ foi deflagrada pela PF em 21 de março, tendo como alvo pessoas ligadas aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Humberto Costa (PT-PE), Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Valdir Raupp (PMDB-RO). O nome faz referência ao fato de que os principais alvos da operação gravitam em torno de pessoas com prerrogativas de foro privilegiado. A investigação é conduzida pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo o site da revista Veja, Almeida Lima teria sido beneficiado com um repasse de R$ 100 mil.


