O comércio de bonecos de Judas começa a ficar intenso na Rodovia dos Náufragos, zona de Expansão de Aracaju. Com preços que variam entre R$ 35 e R$ 100, a depender do tamanho e da caricatura exposta, a perspectiva dos vendedores é que até o início da manhã deste sábado de Aleluia, mais de 180 bonecos já tenham sido comercializados em toda a extensão da rodovia. Diante da instabilidade econômica e crise política vivenciada no Brasil, este ano a confecção maior ficou por conta de políticos que atualmente compõem o cenário nacional. No hall dos bonecos mais procurados estão, em especial, nomes de gestores envolvidos na Operação Lava Jato, a exemplo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Além do líder do Partido dos Trabalhadores, os consumidores dos bonecos a serem quinados na noite de amanhã ainda podem se deparar com alguns dos 200 políticos listados na relação da empreiteira Odebrecht. Entre eles, o ex-presidenciável e atual senador Aécio Neves (PSDB), o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), e o prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM). De acordo com os comerciantes, muitos consumidores vêm de bairros distantes para adquirir o boneco sem característica partidária, apenas a fim de manter a tradição. A fabricação é passada de geração a geração pelas famílias que residem no local.
Os produtores dizem utilizar roupas usadas e enchimento de papel, além da fibra de coco que é usada para a confecção das cabeças dos bonecos. Para garantir o lucro extra nesta época do ano, as famílias envolvidas nessa confecção começam a reunir as peças de roupas após o Dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro. Ao Jornal do Dia, o vendedor Rogério dos Santos destacou que pessoas de outros municípios sergipanos estão seguindo para a rodovia a fim de adquirir um dos bonecos à venda. Ao longo dos últimos 15 anos esta atividade comercial vem apresentando boa aceitação na região e se tornando referência até fora de Sergipe para aqueles que desejam adquirir o produto.
"Estamos nos especializando porque como esse negócio está crescendo muito aqui, as pessoas estão cada vez mais exigentes e as sugestões apresentadas no ano passado a gente acaba aceitando e cumprindo esse ano. Eu comecei vendendo esses Judas em 2003 com meu pai, e lembro que naquele ano fizemos só cinco. Agora eu juntei a família toda e estamos com 30. Agora já estou mandando até para a Bahia", disse. Das três dezenas confeccionadas, seis bonecos foram enviados ontem para a Bahia, sendo três para a cidade de Paulo Afonso, dois para Feira de Santana, e um para Alagoinhas. Dos seis, cinco foram para pessoas que conheceram o trabalho no ano passado, explica Rogério.
"Essa venda pra fora começou com os turistas que param para conhecer as peças e acabam gostando. Tenho dois fregueses que pegaram meu número e no carnaval já estavam me ligando para encomendar. Os outros, muitos já foram vendidos e devem ser queimados aqui no Mosqueiro, e nas praias da Caueira, Abaís e Saco. Dá trabalho, mas vale a pena o sacrifício para garantir uma melhor vida para os meus filhos", declarou. Até o momento não existe nenhuma exigência rigorosa por parte dos órgãos de segurança sobre a fabricação dos bonecos que apresentam probabilidade de incêndio. Segundo o Corpo de Bombeiros as vistorias acontecem apenas nos locais onde os bonecos são armazenados. A meta é evitar sinistros danosos aos artesãos e terceiros.


