Três acusados por crime de cemitério são presos

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil prendeu três homens apontados como autores dos assassinatos da dona de casa Claudeci Oliveira Santos, 44 anos, e do irmão dela, o ex-presidiário Milton César Oliveira, 39, mortos a tiros respectivamente nos dias 3 e 4 deste mês, em um intervalo de quase 20 horas. Os acusados foram encontrados e detidos por agentes do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), em três ocasiões diferentes. Duas prisões aconteceram neste sábado: a de Pedro Vigner dos Santos, 27 anos, achado em uma casa no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju), e o alagoano Marco Túlio de Oliveira de Araújo, 21, capturado em Porto Real do Colégio (AL), com apoio de policiais alagoanos.

O terceiro acusado, Júlio César dos Santos Leandro, 25, irmão de Pedro e já processado por tráfico de drogas, já tinha sido preso em 14 de novembro, mas a informação foi mantida sob sigilo pela polícia até ontem. Ele é apontado como o principal atirador que executou as vítimas. A primeira foi Claudeci, que levou seis tiros na porta da própria casa, na Rua Manoel Vieira Melo, Cj. Jardim Centenário (zona oeste). Neste crime, segundo a polícia, Júlio teve a participação de Marco Túlio. No dia seguinte, foi a vez de Milton, que tinha acabado de assistir ao sepultamento do corpo da irmã no Cemitério São João Batista, no Cj. Castelo Branco (zona oeste). Desta vez, o crime foi executado por Júlio, Pedro e Túlio, os quais assassinaram o ex-detento na porta do cemitério, igualmente com seis tiros.

Uma quarta pessoa ainda está sendo procurada pela polícia: é uma travesti identificada como "Talita", apontada pela delegada como amiga de Júlio e "responsável pela contratação dos táxis que levaram os suspeitos aos locais de execução das vítimas, permanecendo dentro dos veículos", explicou Simony. Um dos táxis foi conseguido, segundo a polícia, em um sequestro-relâmpago ocorrido na tarde do dia 4, quando um taxista pegou os quatro acusados no Cj. João Alves, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), foi obrigado a seguir com eles até o cemitério e abandonou o veículo quando o irmão de Claudeci foi baleado.

De acordo com a delegada Thereza Simony Nunes Silva, diretora do DHPP, as duas mortes foram causadas por uma rixa entre Júlio César e Claudeci. "A Claudeci teve uma discussão com o Júlio César, temos informações que isso pode ter a ver com o tráfico de drogas, e, a partir da morte dela, o irmão dela [Milton] começou a fazer ameaças à família do Pedro e do Júlio. E aí, eles então resolveram praticar o crime", disse Thereza. Parentes das vítimas informaram à polícia, na ocasião após as mortes, que o pivô da briga seria o filho de Claudeci, o qual teria uma dívida com traficantes.

O rapaz, um adolescente de 16 anos, foi ouvido pelos policiais do DHPP. "Fomos ouvindo os parentes da Claudeci e o filho identificou o Júlio César como um dos participantes. Conseguimos da Justiça a prisão temporária do Júlio, ele foi preso e a partir daí identificamos o Pedro, o Marco Túlio e a travesti Talita", relatou a delegada. Ela acrescenta que Túlio veio de Colégio, onde mora, e ficou na casa de Júlio César até os assassinatos. Depois, o acusado voltou para sua casa, onde foi preso com uma quantia de maconha e um revólver supostamente usado nos crimes. A arma será encaminhada para perícia.

Agora, Thereza Simony tem 10 dias para a conclusão do inquérito, além de ouvir mais dois depoimentos complementares. Os três presos ficarão presos preventivamente e foram indiciados por crimes de homicídio qualificado e formação de quadrilha, entre outros. Já a travesti ‘Talita’ vai responder a processo em liberdade e será indiciada pelos crimes mais leves, por decisão da própria delegada. "Eu considerei que a participação dela foi de menor importância. Ela conhecia o Júlio César e tinha pleno conhecimento dos fatos, mas na verdade, ela foi usada para chamar os táxis que foram usados na prática destes crimes", justificou ela.

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