Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A Maria Scombona completou trinta anos. E celebrou o feito com a mão na massa, para deleite de uma plateia escolhida a dedo, sob um teto de estrelas, no jardim plantado porHenrique Teles.
Anfitrião melhor não há. Não bastasse a mesa farta, a alegria derramada num espaço amplo, repleto de verde, os amigos reunidos na tarde do último domingo foram recebidos com o coração derramado. Henrique falou muito, emocionado. Até chegar às lagrimas.
A principal razão de estarmos todos ali, no entanto, era a paixão pela música. Com três discos disponíveis em todas as plataformas de streaming, a Maria Scombona escreveualgumas das páginas mais inspiradas do cancioneiro Serigy. Formada por músicos de primeira grandeza, a banda se escora, contudo, no palavrório de Henrique. Modesto, ele se diz um cantor esforçado. Sobre as composições assinadas e defendidas com sotaque carregado,na ponta da língua maliciosa e afiada, entretanto, não há fiapo de controvérsia: trata-se aqui de um repertório riquíssimo, pontuado pela palavra bem dita de um observador arguto.
‘Grão’, ‘Mais de um nós’, ‘UnNu’, os discos da Maria, prestam-se a tudo o quanto se presta um álbum clássico: formaram músicos e cativaram as plateia, permaneceramincrustrados na memória afetiva de um dado lugar, resistem incólumes à passagem do tempo, lembrados por gerações.
A Maria completou trinta anos eHenrique Teles ainda tem muita lenha para queimar na cachola coroada por versos e acordes. Saulo Ferreira, Robson Macaxeira e Rafael Jrtocam projetos diversos, requisitados como os grandes músicos e instrumentistas que são. Eu, de minha parte, não tenho vírgulas a acrescentar às declarações de amor rasgadas na internet: feliz porviver tudo isso.

