Rian Santos
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Eu espero muito do mandato conquistado nas urnas pelo professor Iran Barbosa, admito. Talvez espere demais. Mas proposituras como a criação do Dia da Forrozeira e do Forrozeiro, com pedágio identitário e tudo, não diferem em nada dos títulos e homenagens cartoriais tão comuns no parlamento tupiniquim. E, assim, recompensam as maiores expectativas com um banho de água fria.
Iran Barbosa, a assessoria do vereador faz questão de lembrar, é autor da Lei nº 9.042/22, instituindo o Dia da Forrozeira e do Forrozeiro em âmbito estadual. Aprovada, sancionada, em pleno vigor, a tal efeméride tem serventia nenhuma.
Forrozeiros, aliás, seriam merecedores de toda a atenção num suposto País do Forró. Infelizmente, no entanto, vivem à míngua. Fosse diferente, o controverso Sindicato dos Músicos não estaria agora comemorando a mera contratação de meia dúzia de sanfoneiros pela Prefeitura de Aracaju. Ninguém menciona a remuneração pouca destes profissionais. Em geral, o trabalho suado deles é cotado a preço de banana.
O vereador Iran Barbosa também já protocolou Projeto de Lei que institui o Dia da Etnia Cigana no âmbito do município de Aracaju, a ser comemorado, anualmente, no dia 24 de maio. O objetivo, ele alega, é dar visibilidade ao povo cigano e valorizar a sua Cultura.
Eu espero muito do professor Iran. Propor a criação de um dia disso e daquilo está ao alcance de qualquer vereadorzinho, com ênfase no diminutivo, acostumado à vida boa da Câmara Municipal. Dos poucos, ali, com real compromisso com a população de Aracaju, espera-se que façam a diferença.


