O mundo tende a ser melhor – Parte 4

Saumíneo Nascimento
saumineon@gmail.com

Se mantivermos uma trajetória de progresso científico, social e institucional, o Brasil de 2050 poderá ser profundamente diferente do Brasil atual.

Podemos imaginar um país com uma expectativa de vida significativamente superior à atual, uma medicina muito mais preventiva e personalizada, maior utilização de inteligência artificial na saúde e na educação, doenças atualmente graves sendo controladas ou tratadas com maior precisão, redução significativa da pobreza extrema, menor desigualdade de oportunidades, uma educação mais personalizada e acessível, vermos maior participação das mulheres na economia e nos espaços de liderança, cidades mais inteligentes e sustentáveis, termos uma agricultura ainda mais produtiva e tecnológica, maior utilização de energia limpa, serviços financeiros digitais praticamente universais e novas formas de trabalho decorrentes da automação e da inteligência artificial.

Mas o Brasil de 2050 poderá também enfrentar uma sociedade mais envelhecida, exigindo mudanças profundas na previdência, na saúde, na habitação e no mercado de trabalho.
A questão central será como distribuir os ganhos de produtividade produzidos pela tecnologia. Se a inteligência artificial e a automação aumentarem extraordinariamente a produtividade, o país terá uma oportunidade histórica de produzir mais riqueza com menos esforço humano.

Mas isso somente será socialmente positivo se os ganhos forem acompanhados por educação, qualificação profissional, novas formas de proteção social e ampliação das oportunidades.
No mundo, o cenário poderá ser ainda mais impressionante, pois a medicina poderá avançar para uma fase em que muitas doenças serão detectadas antes do aparecimento dos sintomas. A inteligência artificial poderá auxiliar médicos, pesquisadores e professores. A robótica poderá assumir grande parte das atividades perigosas ou repetitivas.

A energia poderá ser progressivamente mais limpa e barata. A produção agrícola poderá utilizar menos água e recursos naturais. A comunicação poderá praticamente eliminar as barreiras geográficas.
E talvez a maior transformação seja demográfica, pois uma parte cada vez maior da humanidade viverá até idades que hoje consideramos muito avançadas. Isso mudará a própria definição de juventude, maturidade, aposentadoria e velhice. O grande desafio será evitar que o aumento da longevidade seja acompanhado apenas pelo aumento dos anos de vida. O objetivo deverá ser aumentar também os anos vividos com saúde, autonomia e participação social.

O futuro não será automaticamente melhor, mas o mundo tende a ser melhor não porque o progresso seja inevitável, mas porque temos demonstrado capacidade de aprender, inovar e corrigir erros.

A humanidade pode produzir prosperidade, mas também pode produzir guerras. Pode desenvolver vacinas, mas também armas. Pode criar inteligência artificial para diagnosticar doenças, mas também utilizá-la de maneira irresponsável. Pode aumentar a produtividade, mas concentrar seus benefícios. Pode ampliar a expectativa de vida, mas deixar milhões de pessoas sem acesso à qualidade de vida proporcionada pelo progresso. Por isso, o futuro não é uma promessa, o futuro é uma construção.

Talvez a maior diferença entre 1926 e 2026 não esteja em um aparelho, em uma máquina ou em uma descoberta específica. Está naquilo que aprendemos sobre a capacidade humana. Há cem anos, muitas doenças eram consideradas inevitáveis. Hoje algumas foram erradicadas.

A pobreza parecia uma condição permanente para grande parte da humanidade. Hoje sabemos que políticas públicas, crescimento econômico, educação e tecnologia podem reduzi-la drasticamente. A baixa expectativa de vida era uma realidade praticamente universal. Hoje milhões de pessoas vivem décadas além do que seria imaginável para seus antepassados.
Em 1926, a educação era privilégio de poucos. Hoje é reconhecida como direito.

A mulher tinha participação limitada na vida econômica e política. Hoje ocupa posições de liderança em praticamente todos os setores.

A comunicação dependia de cartas que levavam dias ou semanas. Hoje podemos conversar instantaneamente com qualquer pessoa conectada ao mundo.

Portanto, quando olhamos apenas para os problemas do presente, podemos perder a perspectiva histórica. A humanidade não está pronta. Mas está muito mais preparada do que estava há cem anos. E talvez essa seja a principal razão para acreditar no futuro.

Por isso que eu acredito em minha visão de Advogado, Economista e Geógrafo que o mundo tende a ser melhor.

O século XXI começou há apenas 26 anos e já testemunhamos uma revolução tecnológica, médica, econômica e social de proporções extraordinárias.

Se conseguirmos combinar ciência, democracia, educação, crescimento econômico, inclusão social, sustentabilidade e instituições capazes de distribuir oportunidades, o mundo de 2050 poderá ser significativamente melhor que o mundo de 2026, assim como o mundo de 2026 é, em muitos aspectos fundamentais, extraordinariamente melhor que o de 1926. A pergunta, portanto, talvez não seja se o mundo será melhor, mas quão melhor conseguiremos torná-lo e para quantas pessoas?

Eu penso que o mundo tende a ser melhor, desde que nós também escolhamos fazê-lo melhor.

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