Rian Santos
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Visito uma exposição de Fabio Sampaio e me dou conta de ser um ingrato. Ao contrário do artista, jamais gastei a sola dos sapatos com o caminho percorrido por meus ancestrais.
Refiro-me a Vô Balbino, aberta a visitação pública na galeria J Inácio. Não há, nos trabalhos expostos, nada de particularmente pungente. Ainda assim, a série ali reunida argumenta em favor de uma espécie de genealogia afetiva, como se o artista pedisse a bênção dos seus antepassados, disposto a honrar os mais velhos, quem veio primeiro, por assim dizer, pai e mãe.
Não há, em Vô Balbino, inovação formal. A iconografia própria de sua obra pregressa é ampliada, tendo em vista a intenção de abarcar os signos de antigas travessias, em alusão a uma diáspora subjetiva. A invenção/evocação de uma memória, no entanto, investe numa narrativa visual mais ou menos linear, uma história completa, começo, meio e fim, origem e destino. Para além do ícone, do signo e do significado, permanece a alusão.
Doente de nostalgias, dado a escutar o oceano inteiro numa concha, tenho uma queda pela história dos outros, as histórias dos outros. Assim, Vô Balbino, a jornada biográfica de Fabio Sampaio, me cativou profundamente. Simpatizo com o senhor de pele escura e espírito inquieto, atraído pelo mar. Pouco importa se o velho tem documentos ou as feições da imaginação.


