Kátia Azevedo
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Mesmo com melhorias na rede pública de assistência especializada, alguns serviços ainda são pouco acessados pela população. As dificuldades de encaminhamentos para conseguir tratamento continuam sendo motivo de reclamações por parte dos usuários.
O sistema funciona com todos os serviços sendo disponibilizados para os usuários que passaram pela rede de atenção básica e depois encaminhados por um médico de uma das Unidades de Saúde da Família (USFs), local onde é feita a marcação via Central de Regulação. A porta de entrada é a rede de atenção básica, que avalia, encaminha e agenda. A ideia é dar um direcionamento dos atendimentos fazendo com que a rede de atenção básica funcione e faça diminuir o número de encaminhamentos desnecessários.
Morador do bairro José Conrado de Araújo, situado na zona Oeste de Aracaju, Edjan Cruz Alves sofreu um acidente de moto no ano passado e precisou de fisioterapia. Ele conta que no início deste ano procurou o Posto de Saúde Humberto Mourão, localizado no bairro, e que mesmo depois de muitas tentativas nunca conseguiu ter acesso ao serviço.
"No posto, os funcionários não orientaram o local onde poderia fazer as sessões. Depois informaram que o serviço é realizado no Siqueira Campos, mas não deram nenhum encaminhamento. Como não tinha opção, continuei fazendo a fisioterapia com meu próprio dinheiro, mesmo sem condições, pois por causa do acidente fiquei impedido de trabalhar. Hoje sei que se estou andando com muletas é porque paguei pelo serviço. Se dependesse da rede pública, talvez não estivesse andando agora", desabafa.
Ainda de acordo com Edjan, para ter acesso a serviços de fisioterapia e hidroterapia ele desembolsa mensalmente o valor de R$ 1.230,00. "Ainda luto para ter acesso ao serviço na rede pública. Por orientação médica, tenho que fazer a fisioterapia até dezembro e não tenho mais dinheiro para buscar a assistência na rede particular. Como cidadão, me sinto frustrado porque trabalho, pago imposto, e na hora que preciso do serviço público encontro muita dificuldade", lamenta.
A manicure Zuleide Santos também procurou o serviço de fisioterapeuta e ortopedista da rede pública municipal, mas segundo ela não houve retorno da unidade básica de saúde onde buscou informação para a especialidade. "Há 15 dias estive no posto de saúde com encaminhamento médico para ortopedista, e a informação que recebi era de que não havia mais vaga", relata.
Tanto Edjan como Zuleide desconhecem que na rede municipal existe o Serviço de Reabilitação Físico e Motora (Serfismo), que dispõe de uma equipe multidisciplinar composta por fisioterapeutas, ortopedistas, neurologistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, enfermeiros e auxiliares, além das assistentes sociais que acompanham os usuários que necessitam de tratamento especializado.
Com um atendimento diário de 100 pacientes, o serviço é considerado referência no Brasil, dando assistência às pessoas tanto da capital como do interior, no prédio localizado na rua Bahia, bairro Siqueira Campos, no Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar).
Além do Cemar do Siqueira Campos, a rede conta com o Centro de Especialidades Médicas do Augusto Franco. Juntos, os centros atendem pacientes da capital e do interior. Os usuários de Aracaju respondem por 40% da oferta de atendimento. Aracaju é comando único e é responsável por equipamentos de saúde utilizados por pacientes do próprio município e de cidades vizinhas, sendo pólo de atendimento. Os Cemars são mantidos com recursos municipais e federais, advindos do Ministério da Saúde e integram a Rede de Atenção Especializada (RAE), que possui mais de mil profissionais e disponibiliza 40 especialidades.
De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o encaminhamento a serviços especializados, a exemplo do Serfismo, que é ofertado pela rede municipal, é feito pelas unidades básicas de saúde. "O agendamento deve ser solicitado nas unidades básicas de saúde, que já estão devidamente orientadas e treinadas para isso", explica Cristina Rochadel, assessora de comunicação da SMS. Ela informou também que a rede conta com equipamentos como ônibus adaptado entregue pelo governo federal para transportar usuários em tratamento.
Ainda segundo Cristina Rochadel, as especialidades estão disponíveis e apesar da grande demanda, a rede de assistência vem atendendo satisfatoriamente. A assessora também reforça que recentemente as unidades passaram por um processo de mudança no sistema de marcação de consultas e exames e que por esse motivo a oferta de atendimento na rede especializada passou por adequação.
Ela ressaltou que o novo sistema de marcação de consulta e exames online que começou a funcionar no dia 19 deste mês com o objetivo de facilitar o fluxo de atendimento e a distribuição das demandas.
O novo sistema chamado NUCAAR Online substituiu o Sistema de Regulação (SISREG), ambos adotados pelo Ministério da Saúde. Em Aracaju, o sistema é coordenado pelo Núcleo de Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação (Nucaar), órgão da SMS, e visa dar mais agilidade na marcação dos procedimentos em saúde bem como a uma prestação de contas mais rigorosa entre os prestadores e a secretaria. A prefeitura também pretende transformar o Serfismo em um Centro Especializado em Reabilitação (CER) Tipo II, que irá ofertar atendimento para pessoas com deficiência física e intelectual.

