Vamos para cima que eles queimaram o estoque

* Rômulo Rodrigues
Como lição de casa para quem ficou muito surpreso com o resultado de domingo há explicação científica e os estudiosos de primeira linha há muito tempo já disseram o que os barulhos de campanhas impediram os melhores de ouvir ou ler: até cinco dias antes do pleito eleitoral não se deve considerar as pessoas como eleitores e eleitoras e sim como votantes, ou seja; é quando elas começam a fazer suas escolhas; considerando que voto é escolha individual.
Seguindo a ciência seguida da arte, é de estranhar as surpresas quando contaram os votos e apareceu o sobrenatural de Almeida dizendo; olhem eu aqui seus desatentos como aconteceu na noite do último domingo, também chamado de dia do 1º turno.
Por essas e outras é que o escriba recorre ao sempre atual “Vladimir Maiakovski” bem propício para o momento para chamar os guerreiros de volta às trincheiras das batalhas com ânimos revigorados: “Não estamos alegres, é certo, mas também por que haveremos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas”.
A partir destas reflexões vejamos o que os sabidos de lá formataram como estratégia para o embate fatídico de 4 de outubro de 2026 e tiveram êxito na primeira batalha com a fabricação de um tamborete de três pernas para que o candidato do fascismo pudesse se sentar com equilíbrio nos diversos solos à sua frente e passar a impressão de já ganhou a guerra.
A primeira perna da obra de arte dos sertanejos para enfrentar desequilíbrios dos chãos irregulares foi a bem estudada e trabalhada crise no Supremo Tribunal Federal que, mesmo o ministro André Mendonça sendo apanhado como mero cabo eleitoral de Flávio Bolsonaro, a reação dos votantes no Nordeste era o que importava.
A segunda foi a reação contra a prevista e anunciada proibição às Bets decretada pelo presidente da República que mesmo sendo necessária e urgente na preservação do equilíbrio financeiro das populações mais vulneráveis que aprovavam por 71%, foi explorada contra a candidatura de Lula por parte do setor mais corrupto do futebol brasileiro com mentiras de que iria matar o esporte que já vem enfrentando notória decadência, mas, serviu para atingir em cheios torcedores que se contaminaram e reagiram por pura emoção, deixando de votar, favorecendo o candidato da extrema direita que propõe acabar com direitos da massa torcedora e trabalhadora.
A terceira, em cima da hora e determinante para a farsa moral de ataque à liberdade dos donos da imprensa patronal e estadunidense, alinhada ao projeto de massacre ao povo da classe média para baixo, na hora exata quando o votante faz sua escolha, com o melo drama da retirada do Totem  vazio com o retrato do candidato Lula que seria exposto para ser massacrado sem poder responder, e pautar os telejornais do grupo Globo com o mesmo cinismo do que foi feito após o debate entre os candidatos Lula e Collor no segundo turno de 1989; virando o jogo em favor do caçador de Marajás das Alagoas, hoje em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, como está o pai do candidato das milícias e do crime organizado, cujos dois únicos pontos de pauta, se for eleito, é soltar os terroristas de 23 de janeiro de 2023 e banir qualquer proteção de estabilidade, organização e segurança para a classe trabalhadora.
Chegou o momento de olhar no retrovisor para resgatar números que poderão nortear uma estratégia eficaz recorrendo aos resultados das três últimas eleições presidenciais: em 2018, em 1º turno, o comparecimento às urnas foi de pouco mais de 107 milhões de eleitores; com resultado de 49,3 para Jair Bolsonaro do PSL e 31,3 milhões para Fernando Haddad do PT, em uma diferença pró Jair de 18 milhões de votos que caiu para 10 milhões no 2º turno.
Em 2022 votaram em 1º turno 118 milhões de eleitores com 57 milhões para Lua do PT e 51 milhões para Jair do PL, diferença de 6 milhões pró Lula que caiu para 2 milhões no 2º turno.
Agora é que fica claro o efeito da metamorfose da estratégia das três pernas; o eleitorado apto a votar era de mais de 158 milhões de votos e o esperado de votos válidos era de 126 mil seguindo o crescimento normal entre eleições, porém, a estranheza veio no final da apuração com número de votos válidos de 119 milhões, apena um milhão a mais que a anterior e o exagero de 33,3 milhões de abstenções sendo 8 milhões no Nordeste, território onde o candidato Lula ganhou com menor diferença, ficando claro que, no contingente que não foi votar, repetidos os percentuais de votos apurados  de Lula com 63, 77%  e Flávio com 30,85% o candidato Lula teria sido  reeleito com diferença mínima.
São apenas conjecturas porque o alvo da estratégia foi o eleitorado do Nordeste. Portanto, a ofensiva contra o fascismo é reconquistar o voto nordestino que se absteve dar o grito de alerta para a classe média do país, que votar contra quem construiu políticas para os mais pobres para votar no outro é ser o pobre de daqui a 4 anos.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político
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