Aumento do ônibus será decidido pela CMA
Os 24 vereadores da Câmara Municipal de Aracaju (CMA) serão os responsáveis para decidir se a tarifa de ônibus da capital irá mesmo subir dos atuais R$ 2,25 para R$ 2,52, como pede o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp). Ontem à tarde, a presidência da Casa recebeu da Prefeitura de Aracaju (PMA) os documentos e planilhas relativas ao estudo técnico feito pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), em cima das planilhas de custo apresentadas pelas empresas de ônibus. Hoje, os vereadores devem decidir o prazo e o cronograma das discussões e votações.
Durante uma solenidade no Centro Administrativo da PMA, no Cj. Castelo Branco (zona oeste), o prefeito João Alves Filho (DEM) confirmou o repasse da decisão final do reajuste do transporte coletivo para a Câmara, justificando que ele atende a uma regra prevista pela Lei Orgânica do Município – e que não vinha sendo adotada nas últimas gestões. No entanto, ele não citou valores e indicou que a PMA não vai sugerir nenhum valor para a tarifa.
Essa postura foi confirmada pela secretária municipal de Defesa Social, Georlize Oliveira Teles, que, entretanto, afirmou em entrevista à rádio Liberdade 930 AM que os valores apontados pelos técnicos da SMTT são menores que os indicados na planilha do Setransp. Um exemplo apontado por ela está no litro do diesel, que está ao preço médio de R$ 2,14 na lista das empresas, apesar de os técnicos da PMA terem encontrado o produto a cerca de R$ 2,05. Outro ponto está a exigência da declaração dos preços da câmara de ar, peça interna dos pneus dos veículos que é pouco utilizado atualmente – e deixou de ser usada nos ônibus.
O estudo da PMA, segundo Georlize, leva em conta os insumos citados na lei municipal que rege o transporte coletivo da capital. "São itens fixos, previstos na lei, e que cujo valor já é definido", esclareceu ela, referindo-se à reclamação dos empresários de ônibus quanto aos possíveis prejuízos causados às empresas pelo congelamento da tarifa da capital, em 2012, pelo então prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB). Para a secretária, "a reivindicação dos empresários é justa e legítima, mas a avaliação da Prefeitura tem que ser exclusivamente técnica" e baseada em dados.
A planilha do Setransp já foi contestada pelo "Movimento Não Pago", ligado a entidades estudantis e sindicais, que apontou irregularidades e pede a abertura de uma auditoria externa. Entre elas, está a inclusão das câmaras de que não são usadas pelos ônibus e dos salários dos cobradores de micro-ônibus conhecidos como "ligeirinhos", os quais costumam rodar apenas com o motorista. O economista Demétrio Varjão, um dos coordenadores no "Não Pago", recalculou a planilha das empresas e apontou que o valor real da passagem de ônibus em Aracaju deveria ser de R$ 1,81, o que representaria a menor tarifa do país. O Setransp não respondeu às acusações do movimento. (Gabriel Damásio)


