Vereadores elevam tarifa de ônibus para R$ 2,45

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Em sessão tumultuada realizada na Câmara Municipal de Aracaju (CMA), foi aprovado na noite de ontem o reajuste da tarifa do transporte público da Grande Aracaju, com votação em três sessões. O preço foi inflacionado e passou de R$ 2,25 para R$ 2,45. Dividindo a opinião dos vereadores, a pauta em debate teve que ser por três vezes suspensa em decorrência dos embates verbais envolvendo, principalmente, os grupos de situação e oposição. A nova tarifa passa a ser cobrada a partir do momento em que o prefeito João Alves Filho (DEM) sancione a Lei nº 63/2013 e que seja publicada no Diário Oficial da Prefeitura de Aracaju.

Afirmando obter pouco tempo para analisar as planilhas apresentadas pela SMTT/AJU – Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito – o vereador Emmanuel Nascimento (PT) tentou adiar a votação, conseguiu levar o projeto para votação, mas foi derrotado por 16 a seis. Para o parlamentar, a aprovação desse reajuste vai contra os interesses da população que elegeu democraticamente os representantes daquela Casa. "É com muito pesar que saio dessa casa do povo. Talvez, essa seja a primeira vez que saio tão contrariado com a postura de parte dos meus colegas. Esse aumento demonstra que aparentemente as reivindicações dos usuários não são compreendidas por alguns", lamentou.

Durante a sessão que durou mais de cinco horas, foi debatida a possibilidade de reajustar os preços para R$ 2,43, proposto pela SMTT; R$ 2,52, proposto pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp); e enfim, R$ 2,45 proposto pelo grupo da base aliada do prefeito. "Lembro-me que durante a campanha eleitoral o então candidato João Alves, administrador que tanto respeito e admiro, disse que ele era a solução. Que solução é essa que não atende aos anseios do povo?", pontuou Emmanuel.

Já o presidente da CMA, vereador Vinícius Porto (DEM), assim que encerrou o debate falou com a imprensa e avaliou a tarifa como justa, diante das informações contidas na planilha elaborada pela PMA. "Debatemos a proposta da classe empresária, assim como a documentação apresentada pela prefeitura. Sabemos que uma tarifa de R$ 2,43 seria complicada devido a fragmentação do valor, por esse motivo a maioria dos vereadores achou por bem aprovar o reajuste".

Em clima tenso, quem também se mostrou contrário ao aumento de R$ 0,20 foi a vereadora Lucimara Passos (PCdoB). Para ela, o prefeito deveria tomar a iniciativa de apresentar uma proposta decente e conversar com os usuários, mas preferiu ‘passar’ a demanda para os vereadores. "Como é de costume, o João Chapéu de Couro, representante dos direitos do povo sergipano, preferiu a omissão e correu do debate. Em minha primeira passagem pela Câmara, fico muito triste com o posicionamento antipopular de parte dos vereadores", afirmou. Em três votações, os placares ficaram em 16 / 06; 15 / 07; e 15 / 08, a favor do reajuste.

Conflito – Ocupando as galerias desde às 14h, representantes do ‘Movimento Não Pago’ permaneceram em silêncio até por volta das 19h30 quando a segunda votação foi concluída. Indignados com o andamento dos debates, os manifestantes agrediram verbalmente alguns parlamentares os denominado de ‘vagabundos’.

Diante da insatisfação dos vereadores, agentes da Guarda Municipal foram acionados para retirar os manifestantes da parte interna da Casa. Para Demétrio Varjão, um dos representantes do grupo, os administradores públicos deram uma aula de como atender aos desejos dos empresários e rejeitar os benefícios pleiteados pelo povo.
"É claro que nós não podemos julgar todos os nossos representantes, alguns deles estavam desde o início apoiando o movimento. O que a maioria fez, principalmente o grupo que apoia João Alves, foi massacrar os usuários. Contamos com um sistema que não nos proporciona segurança nem conforto. Vergonha, mas garanto que nossa luta não vai parar", afirmou. Questionado se ficou ofendido com as palavras ‘agressivas’ dos manifestantes, o vereador Iran Barbosa (PT) disse que eles utilizaram palavras fortes, mas que devem ser minimizadas. "Entendo que o termo ‘vagabundo’ soa bastante negativo, mas não deve se tornar em caso de polícia. São jovens que se mostraram indignados com o reajuste e acabaram criticando os vereadores sem cautelar as palavras. Mesmo assim não me senti ofendido", disse.

A pedido de alguns vereadores, a exemplo do líder da situação, Manuel Marcos (DEM), as imagens registradas devem ser adquiridas pela presidência da Casa e imediatamente enviada para a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), e Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE), para que medidas severas sejam adotadas contra os manifestantes.

Os vereadores Iran Barbosa, Lucimara Passos, Dr. Emerson (PT) e Lucas Aribé (PSB) solicitaram que os respectivos nomes não fossem incluídos no relatório a ser enviado aos órgãos acima citados. Para a manhã de hoje, uma manifestação já está marcada para ter início a partir das 11h nas portas de escolas públicas e da CMA.

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