Vereadores envolvidos na polêmica da calcinha são advertidos na Câmara

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Por quebra de decoro parlamentar e exaltação pública, os vereadores Agamenon Sobral (PP) e Lucimara Passos (PCdoB) foram punidos na manhã de ontem pela Câmara de Vereadores de Aracaju (CMA), através do presidente Vinícios Porto (DEM). A decisão foi adotada pela casa legislativa após os vereadores terem protagonizado embates verbais em sessão plenária a respeito de uma noiva que, supostamente, teria tentado comparecer ao próprio enlace matrimonial sem os trajes íntimos. A polêmica foi repercutida nacionalmente após Agamenon ter dito que a noiva sem calcinha deveria ‘tomar uma surra’ e era uma ‘vagabunda’, por desrespeitar a ética e ordem da igreja católica.

Indignada com a áspera declaração do progressista, Lucimara Passos dirigiu-se à plenária na semana passada e discursou em posse de uma calcinha, segurando-a com a mão direita. Segundo a opositora, naquela circunstância estava no local de trabalho sem a respectiva peça intima como forma de protesto. Diante do fervoroso debate interno e da polêmica gerada em todo o Estado de Sergipe, a comissão de ética da CMA decidiu por unanimidade punir os vereadores com advertência pública. Minutos após o pronunciamento de Vinícios Porto, muitos aracajuanos ficaram surpresos com a decisão do presidente. Segundo alguns leitores do Jornal do Dia, diante da repercussão negativa gerada em torno da polêmica calcinha, a punição deveria ser mais rigorosa.

Para o petroleiro aposentado Luis Manoel Mangueira, a partir do momento que essas punições começarem a resultar em multas financeiras, os parlamentares devem passar a respeitar a Lei Orgânica do Município. "Não entendo, depois de tanta repercussão e mistério os dois são punidos apenas verbalmente? É desse jeito que eles pretendem conquistar ordem na câmara? Sinceramente eu esperava um posicionamento mais rigoroso por parte da comissão e do presidente. Desejaria ser informado de outro tipo de punição, mas às vezes esqueço que estou em Sergipe", disse. Minutos após o pronunciamento do presidente, Agamenon declarou ser contra a decisão e que irá recorrer à ação.

Conforme oficializado pela assessoria de comunicação de Agamenon Sobral, "o vereador não concordou com a advertência, visto que, o artigo citado pelo presidente da Câmara, Vinícius Porto, não condiz com o fato ocorrido. O artigo fala sobre proferir palavras inadequadas direcionadas a algum vereador e não foi isso que aconteceu", enalteceu a nota. Por sua vez, Lucimara Passos também se mostrou contra a decisão e voltou a ressaltar que não descumpriu nenhum regimento interno. Para ela, é preciso que a população se una contra esse tipo de decisão e pronunciamento que fere a honra feminina e indulta a violência.

"Não avalio como descumprir as determinações internas, apenas respondi de uma maneira que acredito ser necessária para evitar que esse tipo de declaração infeliz volte a manchar a ética desta casa. É um absurdo chamar a noiva de ‘vagabunda’ e que ela merecia levar uma surra. Isso que é ilegal, e essa minha punição é incoerente", afirmou. Ainda de acordo com a comunista, o momento é de comoção generalizada. "Estou me segurando para não chorar. Estou indignada com toda essa situação e espero que a população esteja acompanhando bem toda essa situação", pontuou.

Manifestação – Atendendo ao pleito da vereadora, um grupo de mulheres promete realizar um ato público na manhã de hoje. A perspectiva é que a mobilização seja realizada a partir das 8h na entrada principal da CMA. Sobre esta mobilização feminista, nem Agamenon Sobral, nem Lucimara Passos, quiseram se manifestar oficialmente.

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