A declaração de Alessandro é uma posição política para desestabilizar a pretensão de André em disputar o Senado, com a preferência do governador e o apoio de expressivas lideranças em todos os municípios sergipanos
Ao declarar que acorda com o despertador enquanto o ex-deputado André Moura (União) poderia ser acordado por uma batida policial, o senador Alessandro Vieira (MDB) conseguiu o que nenhum oposicionista sequer havia tentado até agora: implodir a chapa governista anunciada pelo governador Fábio Mitidieri (PSD) em seis de dezembro do ano passado.
A postura do delegado Alessandro aprofundou as contradições do bloco governista e contrariou Mitidieri pelo fato de que André é o único do bloco que tem voto, mesmo tendo perdido a eleição de 2018. O ex-deputado comanda um grupo de prefeitos e lideranças que abre portas para o governador, candidato à reeleição.
Apesar de reconhecer que sua declaração foi “desnecessariamente dura, mas que no conteúdo é coerente com inúmeras manifestações minhas anteriores”, Alessandro disse que não veta ninguém no palanque do governador. André, ao contrário, já avisou que não seguirá o mesmo caminho.
André respondeu com veemência as críticas feitas no dia anterior pelo senador. Disse que a pedido dos amigos e da família não tinha condições de caminhar com o senador Alessandro numa mesma chapa. “Em respeito aos meus amigos, em respeito aos meus familiares, eu não tenho a mínima condição de fazer política, de estar no mesmo agrupamento, no mesmo palanque, no mesmo carro em uma carreata com o senador Alessandro Vieira”, declarou.
O ex-deputado federal disse que o senador do MDB desrespeitou a orientação do governador que cobrou respeito entre os membros da chapa e que conversará com Fábio Mitidieri e seu pai, Luiz Mitidieri.
“Vou conversar com o governador. Ele [Fábio Mitidieri] disse que quer ter uma conversa comigo. Eu, ele e o secretário Luiz Mitidieri, que é o pai dele. Mas posso garantir é que eu não tenho a mínima condição, em respeito a meus amigos, as lideranças políticas e ao pedido de minha mãe e minha filha, eu não fico no mesmo agrupamento político que estiver o senador Alessandro Vieira”, ressaltou André Moura.
André Moura considera que as declarações do senador Alessandro passaram de uma linha política e entraram numa seara pessoal afetando sua família, e por isso, não terá condições de caminhar no mesmo ambiente que o senador. “As declarações do senador foram muito graves. Quando ele diz que acorda com o despertador e eu acordo com a polícia na minha porta e que eu sei disso, ele me chama de bandido, de marginal, e eu não tenho como subir no palanque com ele”.
A declaração de Alessandro não foi por acaso como ele tentou explicar. É uma posição política para desestabilizar a pretensão de André em disputar o Senado, com a preferência do governador e o apoio de expressivas lideranças em todos os municípios sergipanos. Ele sabe que a sua reeleição está ameaçada porque o senador Rogério Carvalho (PT) também disputa a reeleição com o apoio do presidente Lula, o que pode ser decisivo na atual conjuntura.
Alessandro sabe que não tem votos entre o eleitorado mais progressista, por isso ataca André Moura que disputa com ele os votos conservadores. Por isso, mesmo com a interferência do governador, o confronto tende a se alastrar provocando ruídos na campanha pela reeleição.
Pintura sobre tela do artista sergipano Melcíades
Vaga de desembargador
O pleno do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE) decidiu por maioria, na quarta-feira (11), a escolha da lista tríplice para a vaga de desembargador(a) do Quinto Constitucional, decorrente da aposentadoria do desembargador Luiz Mendonça.
A motivação para a retirada da votação de pauta ocorreu após o levantamento de uma questão de ordem relacionada a um eventual impedimento para o desembargador Roberto Eugênio da Fonseca Porto, em razão de vínculo familiar, para participar da formação da lista tríplice. Roberto Porto é concunhado do advogado Márcio Conrado, que foi o mais votado da lista.
A lista sêxtupla escolhida em eleição direta pela Advocacia é: América Cardoso Barreto Lima Nejaim (ampla concorrência), Carla Caroline de Oliveira Silva (cota racial feminina), Fabiano Freire Feitosa (cota PCD), Kleidson Nascimento dos Santos (cota racial masculino), Márcio Macedo Conrado (ampla concorrência) e Marília de Almeida Menezes (ampla concorrência).
Desfile garantido
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, na quinta-feira (12), pedidos de liminar em duas representações por propaganda eleitoral antecipada apresentadas pelos partidos Novo e Missão que questionam o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval 2026, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A decisão do Plenário foi unânime.
As representações sustentavam que o samba-enredo que retrata a história do presidente Lula ultrapassa o caráter cultural e se transforma em peça de promoção política, equivalente a um pedido implícito de voto.
Os ministros acompanharam o entendimento da relatora, ministra Estela Aranha, que ressaltou que a legislação proíbe o pedido explícito de voto em circunstâncias que não encontram juízo de certeza nesta primeira análise do caso. “Eventual ilícito, mesmo sob os contornos de abuso eleitoral, deve ser apurado posteriormente, de acordo com a legislação. Não se verifica, neste momento, elemento concreto de campanha eleitoral antecipada, nem circunstância que permita afirmar, de forma segura, a ocorrência de irregularidade”, afirmou.
Também enfatizou que a mera suspeita de “possível ilícito futuro” não pode interferir na dimensão de uma produção artística, sob pena de aniquilar a individualidade da potência humana criativa. “A jurisprudência desta Corte Eleitoral é firme no sentido de que constitui censura judicial prévia a concessão de tutela inibitória genérica que vincule manifestações futuras e incertas a parâmetros abertos e imprecisos”, afirmou.
Na avenida
O deputado federal João Daniel (PT) confirmou presença, neste sábado (14), no desfile da escola de samba paulistana Acadêmicos do Tatuapé. Tendo como enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem Muita Terra Sem Gente e Muita Gente Sem Terra”, a escola fará uma homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.
Para o deputado sergipano “levar a luta do campo para a avenida é reafirmar que quem produz alimento também produz dignidade, justiça social e futuro”.
Conteúdos falsos
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou, nas redes sociais, a websérie “V de Verdade – Em terra de fatos, fake não tem vez”. Com abordagem simples e didática, a campanha traz seis vídeos de um minuto que orientam e alertam o público sobre o fenômeno da desinformação e ajudam a identificar e questionar conteúdos potencialmente falsos. Os episódios explicam como a desinformação surge, se espalha e afeta as pessoas nas redes sociais.
O material ensina a eleitora e o eleitor a identificar se uma informação é verdadeira ou falsa por meio dos chamados “5 Vs da Desinformação”: volume de informação, variedade de temas, velocidade de propagação, viralidade dos conteúdos e verossimilhança. Os 5 Vs são capazes de evidenciar o quanto uma informação “parece” ser verdadeira, mas, na verdade, é enganosa.
Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi escolhido na quinta-feira (12) novo relator do inquérito que trata das fraudes do Banco Master na Corte.
A escolha do ministro foi feita de forma eletrônica após Dias Toffoli pedir para deixar a relatoria do caso, depois de a Polícia Federal (PF) ter informado ao presidente da Corte, Edson Fachin, que há menções a Toffoli em mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que teve o aparelho apreendido durante busca e apreensão.
A menção está em segredo de Justiça.
A partir de agora, os próximos passos da investigação serão comandados por Mendonça, que também é relator do inquérito que trata dos descontos indevidos de mensalidades associativas nos benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Prêmio João Ribeiro
Foi lançado esta semana, o edital do XIV Prêmio João Ribeiro, que reconhece destaques da ciência, tecnologia, inovação, comunicação científica e do setor empresarial no estado. As inscrições estarão abertas até 23 de março de 2026, por meio do Protocolo Externo do e-DOC Sergipe.
De acordo com a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), o prêmio contempla indivíduos residentes em Sergipe, que desenvolveram pesquisas e projetos, além de profissionais da comunicação e empresas que contribuíram para divulgação científica no estado. O investimento total do edital é de R$ 100.400.
As categorias e subcategorias do XIV Prêmio João Ribeiro são: Pesquisador(a) Destaque, nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Exatas e Ciências Humanas; Pesquisador(a) Inovador(a), com as subcategorias Inovação para o setor empresarial e Inovação para o setor público; Professor(a) Destaque, também dividido em Ciências da Vida, Ciências Exatas e Ciências Humanas; Jovem Cientista, contemplando Pós-graduação, Iniciação Científica, Iniciação Tecnológica e Cientista Júnior; Profissional de Comunicação, nas modalidades Internet, Telejornalismo e Rádio; e Empresa Inovadora.


