Chico Freire
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Ferrenho oposicionista ao governo do Estado, o deputado federal Mendonça Prado (DEM) surpreendeu a todos na semana passada, ao defender de forma veemente o polêmico empréstimo de R$ 727 milhões, junto ao BNDES e Caixa Econômica Federal, dentro do Proinveste, do governo federal.
O pedido de autorização à Assembleia Legislativa para contratar o empréstimo está em tramitação na Comissão de Economia e Finanças, e vem encontrando resistência por parta da bancada de oposição na Casa.
"Essa é uma oportunidade ímpar em razão das condições da operação. Portanto, perder essa oportunidade é um absurdo", avalia o deputado, observando que, independente de quem seja o governo, a política não pode estar acima dos interesses da população.
Sobre as eleições de 2014, Mendonça Prado nega qualquer tipo de acordo entre o prefeito de Aracaju eleito, João Alves Filho (DEM), com o grupo dos irmãos Amorim, mais especificamente o senador Eduardo Amorim (PSC), em uma futura candidatura dele (Eduardo) ao governo do Estado. "Não tem nenhum acordo", assegurou.
Mendonça também diz que os irmãos Amorim não tiveram nenhuma influência na vitória de João Alves para a Prefeitura de Aracaju. "O percentual que João Alves tinha antes da chegada deles na campanha não aumentou nada. Houve inclusive um decréscimo. Portanto, eles não acrescentaram absolutamente nada", disse.
Leia íntegra da entrevista do deputado.
Jornal do Dia – O senhor sempre foi um adversário ferrenho do governador Marcelo Déda (PT). Por que está defendendo a aprovação pela AL do empréstimo da ordem de R$ 727 milhões junto ao BNDES e CEF?
Mendonça Prado – Sou sergipano e tenho o dever de defender o que é de interesse do meu estado. Essa é uma oportunidade ímpar em razão das condições da operação. Portanto, perder essa oportunidade é um absurdo. Não interessa se o governador é Marcelo Déda ou outra pessoa. O que interessa é que Sergipe sairá ganhando com esse crédito, porque terá oportunidade de aquecer a sua economia e gerar empregos para os nossos concidadãos.
JD – Essa defesa em favor do governo é uma forma de se contrapor ao grupo dos irmãos Amorim que defende a não aprovação do empréstimo?
Mendonça – De jeito nenhum. Eu não preciso disso para me contrapor a qualquer pessoa. Sou um político que defendo a minha linha de pensamento sem subterfúgios. A posição deles não me interessa. Eu trabalho em defesa do meu estado e dos meus conterrâneos.
JD – Há rumores de que o governo João Alves Filho fará uma verdadeira devassa na administração municipal. O senhor defende essa atitude?
Mendonça – João Alves é um político com "P" maiúsculo, magnânimo. Tenho certeza que ele abomina a mesquinharia. Ele não fará isso por hipótese alguma.
JD – O senhor acredita que todas as promessas de campanha feitas por João Alves serão cumpridas, a exemplo de uma saúde de primeiro mundo?
Mendonça – As propostas de João foram apresentadas à sociedade com um estudo prévio sobre a viabilidade. São todas factíveis e, por essa razão, não haverá problemas para executá-las. Ele será um excelente prefeito.
JD – O candidato João Alves criticou a iniciativa da atual administração em querer fazer a licitação do transporte coletivo. O senhor acredita que recebendo o apoio que recebeu dos representantes das empresas de ônibus o prefeito eleito fará a licitação do sistema de transporte?
Mendonça – Tenho certeza que João Alves será um prefeito obediente à ordem jurídica. Cumprir as leis é um dever de todos os cidadãos, principalmente, dos ocupantes de cargos eletivos.
JD – A oposição. que tem como líder maior João Alves Filho, tem criticado o número de cargos comissionado nos governos estadual e municipal. O senhor defende a extinção dos cargos comissionados na Prefeitura de Aracaju?
Mendonça – Não. Mas, defendo a compatibilização do número de comissionados com a real necessidade da administração. Não pode haver excessos. É imprescindível que se valorize o servidor de carreira. Esses devem merecer uma atenção especial dos governantes.
JD – O que levou o senhor a apresentar uma PEC propondo concurso público para os cargos de ministros e conselheiros de Tribunais?
Mendonça – Os Tribunais de Contas são imprescindíveis ao sistema de fiscalização das administrações. São órgãos auxiliares do Poder Legislativo em âmbito federal, estadual e em vários municípios brasileiros. Sendo assim, eu creio que o preenchimento dos cargos por critérios eminentemente técnicos, tornará as ações desses órgãos mais eficientes. Acho que os políticos deveriam se restringir as atribuições dos Poderes Legislativo e Executivo, e propiciar aos técnicos os meios mais corretos para exercerem as funções que são compatíveis com as suas respectivas formações.
JD – O DEM liderado por João Alves Filho conquistou a vitória em Aracaju com o apoio dos Amorim. Como vai ser essa aliança a partir de primeiro de janeiro de 2013?
Mendonça – A aliança com os Amorim, na minha avaliação, foi um grande equívoco. O percentual que João Alves tinha antes da chegada deles na campanha não aumentou nada. Houve inclusive um decréscimo. Portanto, eles não acrescentaram absolutamente nada. O povo de Aracaju queria João independente disso. A aliança com o DEM acabou. Quanto à administração, só quem pode responder é o prefeito eleito. Espero que ele tenha compreendido bem a mensagem dos aracajuanos.
JD – Por não construir uma maioria consolidada na AL o governo está sendo engessado. O senhor acha que o governo João Alves pode correr esse risco na Câmara Municipal de Aracaju?
Mendonça – Acho que não. A maioria dos vereadores eleitos está em sintonia com as ideias do prefeito. Tenho certeza que será uma relação que preservará a independência dos Poderes e a harmonia dos seus integrantes.
JD – Até que ponto os irmãos Amorim terão influência na administração municipal?
Mendonça – Quem foi eleito para administrar Aracaju foi João Alves Filho.
JD – Qual o acordo entre o DEM e o grupo liderado pelos irmãos Amorim?
Mendonça – Nenhum. Não existe nenhum acordo.
JD – Existe algum acordo para que o DEM venha apoiar uma possível candidatura do senador Eduardo Amorim ao governo do Estado em 2014?
Mendonça – Nenhum.
JD – Na avaliação do senhor, os irmãos Amorim, são um mal necessário ou são um mal para Sergipe?
Mendonça – O histórico de cada cidadão responde bem o que cada um pode significar para o seu estado.
JD – O que fez o senhor quebrar o silêncio?
Mendonça – Eu não fiz nenhuma jura de silêncio nem de balbúrdia. Afastei-me das discussões sobre alianças no período eleitoral, porque o meu partido errou e eu não pude acompanhar a decisão equivocada. Fiz o possível para não atrapalhar a candidatura de João Alves, político que considero extraordinário, e tenho certeza que fará uma grande gestão. Entretanto, não faço nada que esteja em desarmonia com a minha consciência ou que divirja das minhas convicções.


