Milton Alves Júnior
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"Já foi o tempo em que trabalhar na indústria de Socorro era uma boa estratégia financeira. Hoje, andamos com medo de ser demitidos e os nossos salários não são tão satisfatórios como os de antigamente". Esses são relatos de funcionários que ainda trabalham no Distrito Industrial do município de Nossa Senhora do Socorro (DIS). Símbolo de desenvolvimento industrial no final dos anos 90, e início de 2000, o município sergipano chegou a ocupar o primeiro lugar no ranking nacional entre as cidades com mais de 100 mil habitantes e que mais crescia economicamente no Brasil.
Trabalhando há cerca de cinco anos em uma indústria de cartonagem, duas funcionárias que preferiram não se identificar informaram que nos últimos anos a empresa vem passando por dificuldades estruturais e a quantidade de trabalhadores caiu de 20 para apenas sete. "A situação aqui já está difícil. Infelizmente trabalhamos demais, serviços pesados que deveriam ser realizados por homens, mas fazer o quê, não é? Ou aceitamos, ou somos demitidos", lamentaram.
Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na época áurea da economia socorrense, enquanto a média nacional crescia 41,7%, o município sergipano alcançava picos superiores a 80%. Isso é comprovado no número de empresas que passaram de 566 para 1.024 em menos de seis anos. "Estávamos evoluindo muito. Socorro era destaque nacional e a cada dia outros empresários queriam se instalar em nosso Estado. É triste saber que essa não é mais a nossa realidade. A esperança é que tempos melhores possam surgir para a gente", disseram.
Investimentos – Discordando do posicionamento das funcionárias, o secretário de Fazenda do município de Socorro, Carlos Américo Andrade, informou que a cidade continua investindo no crescimento econômico local, inclusive com a geração de empregos diretos e indiretos em diversos setores comerciais. Segundo o secretário, desde a última quarta-feira, 21, uma série de reuniões foram promovidas para a instalação da MRV imobiliária. Caso a parceria seja devidamente acordada, serão criados mais de 500 empregos com carteira assinada.
"Diferente do que foi dito pelas funcionárias, a cada ano estamos apresentando estatísticas mais satisfatórias nesse setor", garantiu Carlos Américo. Segundo dados da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), até o último mês de junho, cerca de duas mil empresas estavam produzindo na região.
"O empreendedor que não se aperfeiçoar vai ficar pra trás e acabar demitindo gente. Acredito que esse pode ser o caso da indústria de cartonagem. Fazemos a nossa parte, administrar as empresas já não é da nossa competência. Os reflexos da atual economia estão aí e podem atingir qualquer um", concluiu.
Em parceria com o Governo do Estado de Sergipe, a perspectiva é que nos próximos seis meses mais de três mil empregos sejam gerados no município. Entre os produtos atualmente fabricados, está o leite de coco, gesso, malharias, calçados, artefatos de cimento e velas.


