Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br
Foi enterrado na tarde de ontem o corpo de Robinson Augusto de Oliveira Santos, de apenas nove meses, que morreu na tarde da última segunda-feira, 04, após passar cinco dias internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Com 55% do corpo queimado, após um acidente doméstico, quando uma panela com água quente caiu sobre a vítima, familiares encaminharam imediatamente Robinson, que teve ferimentos de segundo e terceiro graus para o Huse, onde foi internado na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ). Com a constatação do óbito, familiares acusam os médicos por negligência.
Segundo a tia Janailde dos Santos, por constatar falta no estoque, o paciente não recebeu medicamentos essenciais como Albumina receitada logo nas primeiras horas de internação. De acordo com a denunciante, o remédio que estava sendo aplicado não estava surtindo efeito. "Percebemos que a dosagem que estavam repassando não estava mudando o estado clínico do meu sobrinho e nós acabamos comprando o Albumina, mas infelizmente foi tarde demais e antes mesmo da primeira dosagem ele acabou falecendo", disse.
Inconformados, os pais preferiram não conceder entrevistas, mas informaram que vão acionar a justiça.
Ainda de acordo com Janailde, se os médicos fossem sinceros e pedissem para que os familiares adquirissem os medicamentos já nas primeiras horas de internação, talvez a realidade pudesse ser outra. A todo instante com as lágrimas escorrendo pelo rosto, a tia de Robinson garantiu que muita gente sai morta do Huse por falta de uma assistência médica de qualidade. "Se o serviço de saúde fosse feito com competência, certamente não só meu sobrinho, mas muitos pacientes teriam saído com vida daquele lugar. Infelizmente essa é a realidade do Sistema Único de Saúde (SUS), no Brasil. Uma vergonha", concluiu.
Resposta – Em entrevista concedida com exclusividade ao JORNAL DO DIA, a médica especialista Madeleine Ramos informou que todos os cuidados e procedimentos necessários foram realizados na tentativa de salvar a vida da criança, mas afirmou também que uma serie de fatores impossibilitou o sucesso do atendimento. De acordo com o prontuário de internação, houve atraso na locomoção da vítima até o hospital e antes mesmo que Robinson chegasse ao Huse, parentes haviam passado manteiga no corpo da criança.
"Entendemos a fase de dor dos familiares, e também até aceitamos as criticas nesse primeiro momento, mas garantimos que nós possuímos uma equipe qualificada de médicos e que em nenhum momento houve negligência. O medicamento dito pela tia como fator principal do óbito serve apenas para desinchar o corpo, e não mudar o quadro clínico significativamente. O fato é que a criança de apenas nove meses deu entrada com mais da metade do corpo queimado e a situação era gravíssima", lamentou.
A direção da UTQ informou que possui um laudo completo desse atendimento e que está disposta a atender não só os familiares, mas como também toda a imprensa sergipana.


