Casos de Aids crescem entre mulheres casadas

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Apesar da redução nos casos de Aids no ano passado, em relação a 2000, o segmento das mulheres casadas e de baixa renda preocupa. Em Sergipe, esse perfil é o que mais tem crescido entre as pessoas infectadas pelo vírus HIV (vírus da Aids). A principal forma de transmissão do HIV é através da relação sexual sem camisinha. A mulher grávida e infectada pode também transmitir o vírus para o filho durante a gestação, parto e aleitamento, caso não realize o pré-natal correto juntamente com o parceiro.

Segundo o gerente do Programa Estadual de DST/Aids, Almir Santana, as mulheres casadas não se sentem vulneráveis porque depositam confiança no esposo. Ele diz ainda que a maioria dos casos é registrada em um casamento sólido. "Muitas consideram que o vírus da Aids está distante da sua realidade por terem apenas um parceiro sexual, mas essas mulheres estão mais expostas aos riscos das Doenças Sexualmente Transmissíveis", explica ele.

O número da Aids entre as mulheres casadas cresceu muito desde o surgimento do HIV em 1987. "Embora haja a camisinha feminina, a dependência financeira do marido, a falta de diálogo, são fatores que deixam a mulher à mercê do desejo do homem de usar ou não o preservativo", cita o médico.

No surgimento da doença, o preconceito inicial acomodou as pessoas, inclusive as mulheres. "A maioria acreditava que a Aids atingia apenas os homossexuais. Os heterossexuais não se preveniam e se infectavam, e assim transmitiam para suas esposas", lembra Almir.

Com a divulgação da doença, as mulheres tem mudado a postura ao longo dos anos. Almir Santana conta que a mulher foi quem mais alterou hábitos. "Antes o trabalho de prevenção era difícil, pois a mulher tinha vergonha de se informar. Hoje, ela já procura esclarecimentos, busca camisinha nas unidades de saúde. Observamos que há mudanças de hábitos".

Números – Desde 1987 Sergipe registrou 1.040 casos de mulheres infectadas. A maioria tem entre 20 e 40 anos. No total, entre homens e mulheres, são 3.088 pessoas infectadas. As cidades sergipanas com maior registro de pessoas com Aids são: Aracaju, Itabaiana, Estância, Lagarto e São Cristóvão.
Em Aracaju há tratamento especializado para as pessoas infectadas. O Serviço de Assistência Especializada às Pessoas com HIV e Aids funciona no Cemar, Siqueira Campos. Lá, as mulheres recebem atendimento especializado, realizado por uma equipe multidisciplinar, além da medicação.

Tratamento – O HIV é um vírus que ainda não tem cura, mas existem tratamentos eficazes que garantem a saúde e uma boa qualidade de vida com longevidade ao portador do vírus. "Quando diagnosticado cedo e tratado, um cidadão soropositivo pode levar uma vida normal, viver anos, se sentir bem, ter vida social, concretizar sonhos, ter alegria, realizações e principalmente seguir cuidando bem da própria saúde. Por isso é tão importante prevenir e fazer o teste para HIV", garante o médico.

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