* Rômulo Rodrigues
Juro que depois de ler o pertinente artigo do jornalista Gilson Souza sobre o uso indevido do caríssimo espaço jornalístico – em todos os sentidos – na divulgação do substrato cultural de um evento de forró, deixando de cumprir o que é dever e obrigação de uma concessão pública, atender aos interesses públicos acima dos desejos de lucro do privado, pensei com meus botões que decididamente a emissora afiliada da mais poderosa rede televisiva do País jamais produziria algo que me chamasse a atenção pela ousadia e boa qualidade.
Enganei-me redondamente, graças a Deus
Nesta última segunda feira, chuvosa e desencorajadora para quem tem a tarefa de trabalhar, esqueci da leitura do artigo de Gilson e não me arrependo. Ao ligar no programa jornalístico da emissora me deparei com uma excelente entrevista com o defensor público Miguel dos Santos Cerqueira sobre um assunto que tem chamado a atenção nos últimos dias que é a inflação.
O nobre entrevistado já havia despertado meu interesse em um artigo publicado no dia 23 de abril, no JORNAL DO DIA, cujo título foi; Inflação: A luta pelos corações e mentes ou a verdade subtraída. Quem quiser se deliciar com uma leitura oportuna procure um exemplar do jornal e leia com atenção para fazer seu juízo de valor sobre o que rola com a famosa opinião publicada.
Voltando à entrevista. Considero a mesma uma ousadia porque entendi que fugiu completamente ao padrão global de não permitir que seus entrevistados analisem com profundidade e isenção assuntos delicados do dia adia da vida das pessoas como o tema debatido. De forma pedagógica e didática o Dr. Miguel dos Santos Cerqueira mostrou quais os interesses escusos que estão por traz do tratamento catastrófico sobre o ressurgimento da inflação, interesses esses, dos rentistas que querem a volta das altas taxas de juros e com isso ganharem montanhas de dinheiro na agiotagem financeira em detrimento de investimentos no setor produtivo. O passo seguinte será uma grande onde de desemprego, bem ao gosto do Neoliberalismo, forçada pela queda do consumo, e conseqüentemente uma política de arrocho salarial para aumentar, ainda mais, os lucros dos demais empresários.
Um outro ponto destacado foi que o terror da opinião publicada cria um clima psicológico tal que na ponta da cadeia do processo, o feirante acaba sendo induzido a majorar os preços das mercadorias com medo de ter prejuízos e assim faz rodar o moinho que joga os preços cada vez mais para cima.
Ganhei minha manhã, recuperei o ânimo para trabalhar e voltei a acreditar que meu aparelho de televisão pode ter algo mais útil que a tecla de desligar do controle remoto. Agora é esperar que a TV Sergipe continue na vanguarda das suas co-irmãs do Brasil todo e repita entrevistas de qualidade, pelo menos uma vez por semana, mesmo que sejam às segundas feiras.
Nos casos específicos de opinião publicada, aquela que servindo a interesses escusos, tenta substituir a opinião pública, é flagrante o terrorismo midiático para tentar jogar o povo contra um Governo muito bem avaliado, ora se valendo dos restos de notícias do Valerioduto, ora se agarrando na esperança da volta da inflação, contando com a benevolência dos zelosos defensores da sociedade que tanto bradam contra a PEC 37 e não despertam o menor interesse quando o assunto é o uso indevido das concessões públicas para interesses políticos privados.
Parece até que nessa Casa de Marimbondos tem gente que não ousa por a mão com medo de ferroada.
Mexer com os poderosos da mídia e perder os status de altas celebridades não é nada atrativo e todos sabem disso.
Só espero que não venham ordens superiores cortando pela cepa iniciativas como a desta segunda feira, para o bem do bom jornalismo televisivo.
* Rômulo Rodrigues é militante político


