Mundo afora, governos de todos os matizes ideológicos se preparam para enfrentar as implicações econômicas da pandemia de coronavírus com programas de renda mínima, capazes de manter a economia minimamente aquecida e ainda amparar a população. No Brasil, Bolsonaro dá aval para salários serem cortados. O presidente não explica, contudo, como achatar a renda dos trabalhadores vai ajudar o País a sair do buraco.
Os brasileiros transitam na contramão do bom senso, a reboque das decisões desastradas de Bolsonaro e Paulo Guedes. Trata-se aqui de dois obscurantistas. O presidente ainda hoje se recusa a admitir a gravidade da pandemia. O ministro da economia, por sua vez, segue obsedado por metas catastróficas de responsabilidade fiscal. Responsável, no entanto, seria evitar um colapso.
O Palácio do Planalto flerta com o abismo. Chegou a publicar Medida Provisória autorizando empresários a suspender contratos de trabalho e pagamento de salários por um período de quatro meses, sem multa. A reação foi forte e o presidente teve de voltar atrás. Foi mantida, no entanto, a redução de jornadas em até 50%, com pagamento proporcional.
Mais uma vez, a dupla Bolsonaro e Guedes investe contra o direito dos trabalhadores, sob o pretexto de preservar empregos. Os resultados pífios da economia verde e amarela, mesmo antes da emergência sanitária mundial, contudo, previne a população. As reformas trabalhista e previdenciária deram em nada. A ladainha dogmática do liberalismo não cola mais.


